{"id":874,"date":"2020-04-30T11:46:20","date_gmt":"2020-04-30T14:46:20","guid":{"rendered":"http:\/\/161.35.11.199\/?p=874"},"modified":"2020-04-30T11:46:20","modified_gmt":"2020-04-30T14:46:20","slug":"jovens-suicidas-na-espiritualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/2020\/04\/30\/jovens-suicidas-na-espiritualidade\/","title":{"rendered":"Jovens suicidas na espiritualidade"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/161.35.11.199\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/portrait-787522_640.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-875\" width=\"408\" height=\"271\" srcset=\"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/portrait-787522_640.jpg 640w, https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/portrait-787522_640-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 408px) 100vw, 408px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201cMais adiante, aproximei-me de uma garota de quatorze anos e, com ternura, fui puxando conversa.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Voc\u00ea est\u00e1 bem?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Mais ou menos. Hoje estou melhor, o sangramento est\u00e1 diminuindo \u2013 mostrou-me o pulso que fora cortado com gilete.<\/p>\n\n\n\n<p>Nada lhe perguntei, mas ela foi-me relatando o tr\u00e1gico epis\u00f3dio. Vivia, com suas amigas, sob severa vigil\u00e2ncia dos pais. Divertiam-se lendo revistas e livros pornogr\u00e1ficos sobre sexo e anticoncepcionais, \u00e0s escondidas. Enfim, a proibi\u00e7\u00e3o dos pais agu\u00e7ava-lhes cada vez mais a curiosidade sobre a vida sexual. Brincavam entre si, procurando suprir a falta do contato masculino. Esta garota, vivendo situa\u00e7\u00e3o conflitante \u2013 uma, em que a curiosidade falava mais alto e outra onde lhe apresentavam um Deus que castiga -, temendo a puni\u00e7\u00e3o, quis fugir de si mesma, por considerar-se indigna. Assim, depois de uma tarde de sexo com suas amigas, resolveu fugir da realidade atrav\u00e9s do suic\u00eddio.<\/p>\n\n\n\n<p>Abracei-a forte.<\/p>\n\n\n\n<p>-Por que irm\u00e3, n\u00e3o procurou algu\u00e9m para lhe aconselhar?<\/p>\n\n\n\n<p>-Quem escuta sem acusar? Todos gostam de atirar pedras, ningu\u00e9m procura saber porque algu\u00e9m caiu. S\u00f3 sabem culpar a fraqueza do pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p>Calei-me. Ela estava com a raz\u00e3o. Poucos ouvem e ajudam, muitos ouvem e s\u00f3 sabem criticar. Recordei-me de um local onde o jovem \u00e9 amado, compreendido e respeitado pelos esp\u00edritos e por alguns companheiros; sabemos que existem muitos que n\u00e3o desejam am\u00e1-los mas temos a esperan\u00e7a de que um dia esses adultos voltar\u00e3o a ser crian\u00e7as. Esperamos, eu e principalmente, Irm\u00e3 Francisca Thereza. \u00c9 bem pouco o que os jovens nos pedem: respeito, s\u00f3 isso. Elogiar o seu trabalho, demonstrando-lhes que os amamos, \u00e9 necess\u00e1rio para o dia de amanh\u00e3. Mostrarmo-nos indiferentes \u00e9 sinal de que n\u00e3o atingimos ainda a faixa de respeito \u00e0 dignidade alheia. Somos uma falange que espera que cada ser plante um jardim de esperan\u00e7as para que os Mios\u00f3tis n\u00e3o deixem de florir.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; At\u00e9 outro dia, Sandrinha. Espero que voc\u00ea se restabele\u00e7a; voltarei a visita-la. At\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; N\u00e3o, n\u00e3o v\u00e1s embora, n\u00e3o! Gostei de ti, \u00e9s t\u00e3o legal!<\/p>\n\n\n\n<p>Acariciei-a e ainda permaneci conversando por algum tempo mais\u201d (p. 116)<\/p>\n\n\n\n<p>MENINO DE DOZE ANOS<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando a deixei, fui direto at\u00e9 um menino que aparentava doze anos. Tinha um orif\u00edcio feito por bala na fronte. Apesar de j\u00e1 haver sido medicado, o sangue corria em profus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Como vai, camarada?<\/p>\n\n\n\n<p>Olhou-me com \u00f3dio, nada respondendo. Sentei-me ao seu lado, abri o Evangelho como quem nada queria. Ele, meio sem jeito, disse-me:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Desculpe-me, amigo, ando meio nervoso. Suicidei-me, pensando ficar livre de tudo e veja o meu estado: cada vez mais preso ao remorso.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; O que aconteceu com voc\u00ea?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Fiquei \u2018cheio\u2019 dos velhos, desejei dar uma de v\u00edtima para chamar a aten\u00e7\u00e3o e olhe o que restou do meu corpo&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Mais s\u00f3 por isso?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Voc\u00ea acha pouco ser filho \u00fanico e desprezado pelos pais? Eles s\u00f3 se amavam, em nenhum momento lembravam que eu existia. Meu pai n\u00e3o me queria. Quando minha m\u00e3e ficou gr\u00e1vida e depois do meu nascimento, fui sendo desprezado pelo seu ci\u00fame, e cada vez mais me revoltava. Sentia no olhar de meu pai o desejo de que eu sa\u00edsse de casa. Ele queria viver sozinho com a minha m\u00e3e; eu era como um fardo pesado para eles.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; E sua m\u00e3e, n\u00e3o era sua amiga?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Que nada! \u00c0s vezes, parecia que me amava, mais s\u00f3 a meu pai ela agradava.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; E a\u00ed voc\u00ea resolveu suicidar-se?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Queria apenas dar um susto neles, mais acabei acertando em cheio e nada os m\u00e9dicos puderam fazer.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; E eles, como est\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Na deles. Nem ligaram. S\u00f3 no inicio ficaram chocados. N\u00e3o esque\u00e7a que eu era demais naquela casa.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; \u00c9 inacredit\u00e1vel que existam casais que renegam o pr\u00f3prio filho!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Meu amigo, como meu caso, existem muitos aqui. Aquela garota ali, por exemplo, a m\u00e3e a odiava e o pai lhe era indiferente.<\/p>\n\n\n\n<p>Sai, imaginando os lares despreparados para receber um filho.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Adolesc\u00eancia, um desafio de pais e educadores. Editora Auta de Souza. p.116-117.<\/p>\n\n\n\n<p>Quer saber mais sobre o Suic\u00eddio, as causas e consequ\u00eancias do suic\u00eddio? Leia o Livro ADOLESC\u00caNCIA, UM DESAFIO PARA PAIS E EDUCADORES, da&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.editoraautadesouza.com.br\/\">Editora Auta de Souza<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Casos de jovens que buscaram fugir da realidade atrav\u00e9s do suic\u00eddio<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":879,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/874"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=874"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/874\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/879"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=874"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=874"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=874"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}