{"id":277,"date":"2020-04-24T14:56:44","date_gmt":"2020-04-24T17:56:44","guid":{"rendered":"http:\/\/161.35.11.199\/?p=277"},"modified":"2020-04-25T09:22:25","modified_gmt":"2020-04-25T12:22:25","slug":"a-hora-final","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/2020\/04\/24\/a-hora-final\/","title":{"rendered":"A hora final"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/161.35.11.199\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/desencarne-05_10_2019.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-279\" width=\"430\" height=\"219\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Que se passa no momento da morte e como se desprende o Esp\u00edrito da sua pris\u00e3o material? Que Impress\u00f5es, que sensa\u00e7\u00f5es o esperam nessa ocasi\u00e3o temerosa? \u00c9 isso o que interessa a todos conhecer, porque todos cumprem essa jornada. A vida foge-nos a todo instante: nenhum de n\u00f3s escapar\u00e1 \u00e0 morte.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ora, o que todas as religi\u00f5es e filosofias nos deixaram ignorar os Esp\u00edritos, em multid\u00e3o, no-lo v\u00eam ensinar. Dizem-nos que as sensa\u00e7\u00f5es que precedem e se seguem \u00e0 morte s\u00e3o infinitamente variadas e dependentes sobretudo do car\u00e1ter, dos m\u00e9ritos, da eleva\u00e7\u00e3o moral do Esp\u00edrito que abandona a Terra. A separa\u00e7\u00e3o \u00e9 quase sempre lenta, e o desprendimento da alma opera-se gradualmente. Come\u00e7a, algumas vezes, muito tempo antes da morte, e s\u00f3 se completa quando ficam rotos os \u00faltimos la\u00e7os flu\u00eddicos que unem o perisp\u00edrito ao corpo. A impress\u00e3o sentida pela alma revela-se penosa e prolongada quando esses la\u00e7os s\u00e3o mais fortes e numerosos. Causa permanente da sensa\u00e7\u00e3o e da vida, a alma experimenta todas as como\u00e7\u00f5es, todos os despeda\u00e7amentos do corpo material.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;Dolorosa, cheia de ang\u00fastias para uns, a morte n\u00e3o \u00e9, para outros, sen\u00e3o um sono agrad\u00e1vel seguido de um despertar silencioso. O desprendimento \u00e9 f\u00e1cil para aquele que previamente se desligou das coisas deste mundo, para aquele que aspira aos bens espirituais e que cumpriu os seus deveres. H\u00e1, ao contr\u00e1rio, luta, agonia prolongada no Esp\u00edrito preso \u00e0 Terra, que s\u00f3 conheceu os gozos materiais e deixou de preparar-se para essa viagem.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Entretanto, em todos os casos, a separa\u00e7\u00e3o da alma e do corpo \u00e9 seguida de um tempo de perturba\u00e7\u00e3o, fugitivo para o Esp\u00edrito justo e bom, que desde cedo despertou ante todos os esplendores da vida celeste; muito longo, a ponto de abranger anos inteiros, para as almas culpadas, impregnadas de flu\u00eddos grosseiros. Grande n\u00famero destas \u00faltimas cr\u00ea permanecer na vida corp\u00f3rea, muito tempo mesmo depois da morte. Para estas, o perisp\u00edrito \u00e9 um segundo corpo carnal, submetido aos mesmos h\u00e1bitos e, algumas vezes, \u00e0s mesmas sensa\u00e7\u00f5es f\u00edsicas como durante a vida terrena.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Outros Esp\u00edritos de ordem inferior se acham mergulhados em uma noite profunda, em um completo Insulamento no seio das trevas. Sobre eles pesa a Incerteza, o terror. Os criminosos s\u00e3o atormentados pela vis\u00e3o terr\u00edvel e incessante das suas v\u00edtimas.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A hora da separa\u00e7\u00e3o \u00e9 cruel para o Esp\u00edrito que s\u00f3 acredita no nada. Agarra-se como desesperado a esta vida que lhe foge; no supremo momento Insinua-se-lhe a d\u00favida; v\u00ea um mundo tem\u00edvel abrir-se para abism\u00e1-lo, e quer, ent\u00e3o, retardar a queda. Da\u00ed, uma luta terr\u00edvel entre a mat\u00e9ria, que se esvai, e a alma, que teima em reter o corpo miser\u00e1vel. Algumas vezes, ela fica presa at\u00e9 \u00e0 decomposi\u00e7\u00e3o completa, sentindo mesmo, segundo a express\u00e3o de um Esp\u00edrito, \u201cos vermes lhe corroerem as carnes\u201d. &nbsp;&nbsp;<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pac\u00edfica, resignada, alegre mesmo, \u00e9 a morte do justo, a partida da alma que, tendo muito lutado e sofrido, deixa a Terra confiante no futuro.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para esta, a morte \u00e9 a liberta\u00e7\u00e3o, o fim das provas. Os la\u00e7os enfraquecidos que a ligam \u00e0 mat\u00e9ria, destacam-se docemente; sua perturba\u00e7\u00e3o n\u00e3o passa de leve entorpecimento, algo semelhante ao sono.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/161.35.11.199\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/morte-05_10_2019.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-282\" width=\"410\" height=\"308\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Deixando sua resid\u00eancia corp\u00f3rea, o Esp\u00edrito, purificado pela dor e pelo 122 sofrimento, v\u00ea sua exist\u00eancia passada recuar, afastar-se pouco a pouco com seus amargores e ilus\u00f5es; depois, dissipar-se como as brumas que a aurora encontra estendidas sobre o solo e que a claridade do dia faz desaparecer. O Esp\u00edrito acha-se, ent\u00e3o, como que suspenso entre duas sensa\u00e7\u00f5es: a das coisas materiais que se apagam e a da vida nova que se lhe desenha \u00e0 frente. Entrev\u00ea essa vida como atrav\u00e9s de um v\u00e9u, cheia de encanto misterioso, temida e desejada ao mesmo tempo. Ap\u00f3s, expande-se a luz, n\u00e3o mais a luz solar que nos \u00e9 conhecida, por\u00e9m uma luz espiritual, radiante, por toda parte disseminada. Pouco a pouco o inunda, penetra-o, e, com ela, um tanto de vigor, de remo\u00e7amento e de serenidade. O Esp\u00edrito mergulha nesse banho reparador. A\u00ed se despoja de suas incertezas e de seus temores. Depois, seu olhar destaca-se da Terra, dos seres lacrimosos que cercam seu leito mortu\u00e1rio, e dirige-se para as alturas. Divisa os c\u00e9us Imensos e outros seres amados, amigos de outrora, mais jovens, mais vivos, mais belos que v\u00eam receb\u00ea-lo, gui\u00e1-lo no seio dos espa\u00e7os. Com eles caminha e sobe \u00e0s regi\u00f5es et\u00e9reas que seu grau de depura\u00e7\u00e3o permite atingir. Cessa, ent\u00e3o, sua perturba\u00e7\u00e3o, despertam faculdades novas, come\u00e7a o seu destino feliz.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A entrada em uma vida nova traz impress\u00f5es t\u00e3o variadas quanto o permite a posi\u00e7\u00e3o moral dos Esp\u00edritos. Aqueles \u2014 e o n\u00famero \u00e9 grande \u2014 cujas exist\u00eancias se desenrolam indecisas, sem faltas graves nem m\u00e9ritos assinalados, acham-se, a princ\u00edpio, mergulhados em um estado de torpor, em um acabrunhamento profundo; depois, um choque vem sacudir-lhes o ser. O Esp\u00edrito sai, lentamente, de seu inv\u00f3lucro: como uma espada da bainha; recobra a liberdade, por\u00e9m, hesitante, t\u00edmido, n\u00e3o se atreve a utiliz\u00e1-la ainda, ficando cerceado pelo temor e pelo h\u00e1bito aos la\u00e7os em que viveu. Continua a sofrer e a chorar com os entes que o estimaram em vida. Assim corre o tempo, sem ele o medir; depois de muito, outros Esp\u00edritos auxiliam-no com seus conselhos, ajudando a dissipar sua perturba\u00e7\u00e3o, a libert\u00e1-lo das \u00faltimas cadeias terrestres e a elev\u00e1-lo para ambientes menos obscuros.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em geral, o desprendimento da alma \u00e9 menos penoso depois de uma longa mol\u00e9stia, pois o efeito desta \u00e9 desligar pouco a pouco os la\u00e7os carnais. As mortes s\u00fabitas, violentas, sobrevindo quando a vida org\u00e2nica est\u00e1 em sua plenitude, produzem sobre a alma um despeda\u00e7amento doloroso e lan\u00e7am-na em prolongada perturba\u00e7\u00e3o. Os suicidas s\u00e3o v\u00edtimas de sensa\u00e7\u00f5es horr\u00edveis. Experimentam, durante anos, as ang\u00fastias do \u00faltimo momento e reconhecem, com espanto, que n\u00e3o trocaram seus sofrimentos terrestres sen\u00e3o por outros ainda mais vivazes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O conhecimento do futuro espiritual, o estudo das leis que presidem \u00e0 desencarna\u00e7\u00e3o s\u00e3o de grande import\u00e2ncia como preparativos \u00e0 morte. Podem suavizar os nossos \u00faltimos momentos e proporcionar-nos f\u00e1cil desprendimento, permitindo mais depressa nos reconhecermos no mundo novo que se nos desvenda. (L\u00e9on Denis,\u00a0<em>Depois da morte<\/em>, 28.ed., Cap. XXX)<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Que se passa no momento da morte e como se desprende o Esp\u00edrito da sua pris\u00e3o material? Que Impress\u00f5es, que sensa\u00e7\u00f5es o esperam nessa ocasi\u00e3o temerosa? \u00c9 isso o que interessa a todos conhecer, porque todos cumprem essa jornada. 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