{"id":1634,"date":"2020-06-06T19:24:20","date_gmt":"2020-06-06T22:24:20","guid":{"rendered":"http:\/\/161.35.11.199\/?p=1634"},"modified":"2020-06-08T14:24:56","modified_gmt":"2020-06-08T17:24:56","slug":"feridas-e-cicatrizes-na-infancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/2020\/06\/06\/feridas-e-cicatrizes-na-infancia\/","title":{"rendered":"Feridas e cicatrizes na inf\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/161.35.11.199\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/crianca-02_12_2017-1-1024x721.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1640\" width=\"431\" height=\"303\" srcset=\"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/crianca-02_12_2017-1-1024x721.png 1024w, https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/crianca-02_12_2017-1-300x211.png 300w, https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/crianca-02_12_2017-1-768x541.png 768w, https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/crianca-02_12_2017-1.png 1440w\" sizes=\"(max-width: 431px) 100vw, 431px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Tem sido estabelecido atrav\u00e9s da cultura dos tempos, que a inf\u00e2ncia \u00e9 o per\u00edodo mais feliz da exist\u00eancia humana, exatamente pela falta de discernimento da crian\u00e7a, e em raz\u00e3o das suas aspira\u00e7\u00f5es que n\u00e3o passam de desejos do desconhecido, de necessidades imediatas, de ignor\u00e2ncia da realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Os seus divertimentos s\u00e3o leg\u00edtimos, porque a eles se entrega em totalidade, sem qualquer esfor\u00e7o, gra\u00e7as \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o criadora que a transporta para esse mundo subjacente do crer naquilo que lhe parece. <\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o estando a personalidade ainda formada, n\u00e3o h\u00e1 dissocia\u00e7\u00e3o entre o que tem exist\u00eancia real e aquilo que somente se fundamenta na experi\u00eancia mental.[&#8230;]Como a crian\u00e7a n\u00e3o sabe o que \u00e9 felicidade, facilmente identifica-a no divertimento, aquilo que a agrada e a distrai, os jogos que lhe povoam a imagina\u00e7\u00e3o.&nbsp;\u00c9 na inf\u00e2ncia que se fixam em profundidade os acontecimentos, ali\u00e1s, desde antes, na vida intra-uterina, quando o ser faz-se participante do futuro grupo familiar no qual renascer\u00e1. <\/p>\n\n\n\n<p>As impress\u00f5es de aceita\u00e7\u00e3o como de rejei\u00e7\u00e3o se lhe insculpir\u00e3o em profundidade, aben\u00e7oando-o com o amor e a seguran\u00e7a ou dilacerando-lhe o sistema emocional, que passar\u00e1 a sofrer os efeitos inconscientes da animosidade de que foi objeto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, os acontecimentos \u00e0 sua volta, direcionados ou n\u00e3o \u00e0 sua pessoa, exercer\u00e3o preponderante influ\u00eancia na forma\u00e7\u00e3o da sua personalidade, tornando-a jovial, extrovertida ou conflitada, depressiva, insegura, em raz\u00e3o do ambiente que lhe plasmou o comportamento.&nbsp;Essas marcas acompanh\u00e1-la-\u00e3o at\u00e9 a idade adulta, definindo-lhe a maneira de viver. Tornam-se feridas, quando de natureza perturbadora, que mesmo ao serem cicatrizadas, deixam sinais que somente uma terapia muito cuidadosa consegue anular.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, o Esp\u00edrito, em processo de reencarna\u00e7\u00e3o, acompanha mui facilmente os lances que precedem \u00e0 futura experi\u00eancia, e porque podendo movimentar-se com relativa liberdade antes do mergulho total no arquip\u00e9lago celular, compreende as dificuldades que ter\u00e1 de enfrentar mais tarde, ao sentir-se desde ent\u00e3o indesejado, maltratado, combatido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Certamente, essa ocorr\u00eancia tem lugar com aqueles que se v\u00eam impelidos ao renascimento para reparar pesados compromissos infelizes, retornando ao seio das suas anteriores v\u00edtimas que agora os recha\u00e7am, o que \u00e9 injustific\u00e1vel.&nbsp;A b\u00ean\u00e7\u00e3o de um filho constitui significativa conquista do ser humano, que se deve utilizar do ensejo para crescer e desenvolver os sentimentos superiores da abnega\u00e7\u00e3o e do amor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Muitos conflitos da fase adulta tiveram sua origem na vida intra-uterina&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;[&#8230;] Na raiz de muitos conflitos e desequil\u00edbrios juvenis, adultos, e at\u00e9 mesmo ressumando na velhice, as distonias tiveram origem \u2014 efeito de causa transata \u2014 no per\u00edodo da gesta\u00e7\u00e3o, posteriormente na inf\u00e2ncia, quando a figura da m\u00e3e dominadora e castradora, assim como do pai negligente, indiferente ou violento, frustrou os anseios de liberdade e de felicidade do ser.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Todos nascem para ser livres e felizes. No entanto, pessoas emocionalmente enfermas, ante o pr\u00f3prio fracasso, transferem para os filhos aquilo que gostariam de conseguir, suas culpas e incapacidades, quando n\u00e3o descarregam todo o insucesso ou inseguran\u00e7a naqueles que vivem sob sua depend\u00eancia.&nbsp;Esse infeliz recurso fere o cerne da crian\u00e7a, que se faz pusil\u00e2nime, a fim de sobreviver ou leva-a a refugiar-se no ensimesmamento, na melancolia, sentindo-se vazia de afeto e objetivo de vida. <\/p>\n\n\n\n<p>Com o tempo, essas feridas purulam, impelindo a atitudes ex\u00f3ticas, a comportamentos inst\u00e1veis, \u00e0s fugas para o fumo, a droga, o \u00e1lcool ou as divers\u00f5es violentas, mediante as quais extravasam o ressentimento acumulado, ou mergulham no anest\u00e9sico perigoso da depress\u00e3o com altos reflexos na conduta sexual, incompleta, insatisfeita, alienadora&#8230;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Sociedade atendendo a Inf\u00e2ncia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A sociedade ter\u00e1 que atender \u00e0 inf\u00e2ncia atrav\u00e9s de mecanismos pr\u00f3prios, preenchendo os espa\u00e7os deixados pela aus\u00eancia do amor na fam\u00edlia, na educa\u00e7\u00e3o escolar, na conviv\u00eancia do grupo, nas oportunidades de desenvolvimento e de auto-afirma\u00e7\u00e3o de cada qual. Para tal mister, torna-se necess\u00e1rio o equil\u00edbrio do adulto, do educador formal, que pode funcionar como psicoterapeuta, orientando melhor o aprendiz e reencaminhando-o para a compreens\u00e3o dos valores existenciais e das finalidades da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Inveja, m\u00e1goa, ci\u00fame, instabilidade, \u00f3dio, pusilanimidade e outros hediondos sentimentos que afligem as crian\u00e7as maltratadas, carentes, abandonadas mesmo nas casas onde moram, desde que n\u00e3o s\u00e3o lares verdadeiros, constituem os mecanismos de rea\u00e7\u00e3o de todos quantos se sentem infelizes, mesmo que inconscientemente.<\/p>\n\n\n\n<p>A compreens\u00e3o dos direitos alheios e dos pr\u00f3prios deveres, o contributo da fraternidade, a seguran\u00e7a afetiva, a harmonia interior, a compaix\u00e3o, a lealdade se instalar\u00e3o no ser, cicatrizando as feridas, \u00e0 medida que o meio ambiente se transforme para melhor e o afeto dos outros, sincero qu\u00e3o desinteressado, substitua a indiferen\u00e7a habitual.<\/p>\n\n\n\n<p>[&#8230;]Toda vez, portanto, que algu\u00e9m sinta incompletude, inseguran\u00e7a, seja visitado pelos sentimentos inquietadores da inseguran\u00e7a, do medo, da raiva e da inveja injustific\u00e1veis, exce\u00e7\u00e3o feita aos estados patol\u00f3gicos profundos, as feridas da inf\u00e2ncia est\u00e3o ainda abertas ou reabrindo-se, e necessitando com urg\u00eancia de cicatriza\u00e7\u00e3o. (Joanna de \u00c2ngelis.&nbsp;Amor, imbat\u00edvel amor.&nbsp;Cap.17)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 na inf\u00e2ncia que se fixam em profundidade os acontecimentos \u00e0 sua volta<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1637,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[6],"tags":[28],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1634"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1634"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1634\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1637"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1634"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1634"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1634"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}