{"id":1249,"date":"2020-05-23T16:54:03","date_gmt":"2020-05-23T19:54:03","guid":{"rendered":"http:\/\/161.35.11.199\/?p=1249"},"modified":"2020-05-23T16:54:03","modified_gmt":"2020-05-23T19:54:03","slug":"adolfo-bezerra-de-menezes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/2020\/05\/23\/adolfo-bezerra-de-menezes\/","title":{"rendered":"Adolfo Bezerra de Menezes"},"content":{"rendered":"\n<p>Nascido na antiga Freguesia do Riacho do Sangue, hoje Solon\u00f3pole, no Cear\u00e1, aos 29 dias do m\u00eas de agosto de 1831, e desencarnado no Rio de Janeiro, a 11 de abril de 1900.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"196\" height=\"258\" src=\"http:\/\/161.35.11.199\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/bezerra1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1250\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, no ano de 1838, entrou para a escola p\u00fablica da Vila do Frade, onde em dez meses apenas, preparou-se suficientemente at\u00e9 onde dava o saber do mestre que lhe dirigia a primeira fase de educa\u00e7\u00e3o. Bem cedo revelou sua fulgurante intelig\u00eancia, pois, aos onze anos de idade, iniciava o curso de Humanidades e, aos treze anos, conhecia t\u00e3o bem o latim que ministrava, a seus companheiros, aulas dessa mat\u00e9ria, substituindo o professor da classe em seus impedimentos.<br><br>Seu pai, o capit\u00e3o das antigas mil\u00edcias e tenente-coronel da Guarda Nacional, Ant\u00f4nio Bezerra de Menezes, homem severo, de honestidade a toda prova e de ilibado car\u00e1ter, tinha bens de fortuna em fazendas de cria\u00e7\u00e3o.<br><br>Com a pol\u00edtica, e por efeito do seu bom cora\u00e7\u00e3o, que o levou a dar abonos de favor a parentes e amigos, que o procuravam para explorar-lhe os sentimentos de caridade, comprometeu aquela fortuna. Percebendo, por\u00e9m, que seus d\u00e9bitos igualavam seus haveres, procurou os credores e lhes prop\u00f4s entregar tudo o que possu\u00eda, o que era suficiente para integralizar a d\u00edvida. Os credores, todos seus amigos, recusaram a proposta, dizendo-lhe que pagasse como e quando quisesse.<br><br>O velho honrado insistiu; por\u00e9m, n\u00e3o conseguiu demover os credores sobre essa resolu\u00e7\u00e3o, por isso deliberou tornar-se mero administrador do que fora sua fortuna, n\u00e3o retirando dela sen\u00e3o o que fosse estritamente necess\u00e1rio para a manuten\u00e7\u00e3o da sua fam\u00edlia, que assim passou da abastan\u00e7a \u00e0s priva\u00e7\u00f5es.<br><br>Animado do firme prop\u00f3sito de orientar-se pelo car\u00e1ter \u00edntegro de seu pai, Bezerra de Menezes, com minguada quantia que seus parentes lhe deram, e animado do prop\u00f3sito de sobrepujar todos os \u00f3bices, partiu para o Rio de Janeiro a fim de seguir a carreira que sua voca\u00e7\u00e3o lhe inspirava: a Medicina.<br>Em novembro de 1852, ingressou como praticante interno no Hospital da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia. Doutorou-se em 1856 pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, defendendo a tese &#8220;Diagn\u00f3stico do Cancro&#8221;.<br><br>Nessa altura abandonou o \u00faltimo patron\u00edmico, passando a assinar apenas Adolfo Bezerra de Menezes. A 27 de abril de 1857, candidatou-se ao quadro de membros titulares da Academia Imperial de Medicina, com a mem\u00f3ria &#8220;Algumas Considera\u00e7\u00f5es sobre o Cancro encarado pelo lado do Tratamento&#8221;. O parecer foi lido pelo relator designado, Acad\u00eamico Jos\u00e9 Pereira Rego, a 11 de maio de 1857, tendo a elei\u00e7\u00e3o se efetuado a 18 de maio do mesmo ano e a posse a 1\u00ba de junho. Em 1858 candidatou-se a uma vaga de lente substituto da Sec\u00e7\u00e3o de Cirurgia da Faculdade de Medicina. Por intercess\u00e3o do mestre Manoel Feliciano Pereira de Carvalho, ent\u00e3o Cirurgi\u00e3o-Mor do Ex\u00e9rcito, Bezerra de Menezes foi nomeado seu assistente, no posto de Cirurgi\u00e3o-Tenente.<br><br>Eleito vereador municipal pelo Partido Liberal, em 1861, teve sua elei\u00e7\u00e3o impugnada pelo chefe conservador, Haddock Lobo, sob a alega\u00e7\u00e3o de ser m\u00e9dico militar. Objetivando servir o seu Partido, que necessitava dele a fim de obter maioria na C\u00e2mara, resolveu Bezerra de Menezes afastar-se do Ex\u00e9rcito. Em 1867 foi eleito Deputado Geral, tendo ainda figurado em lista tr\u00edplice para uma cadeira no Senado.<br><br>Quando pol\u00edtico, levantou-se contra ele, a exemplo do que ocorre com todos os pol\u00edticos honestos, uma torrente de inj\u00farias que cobriu o seu nome de improp\u00e9rios. Entretanto, a prova da pureza da sua alma deu-se quando, abandonando a vida p\u00fablica, foi viver para os pobres, repartindo com os necessitados o pouco que possu\u00eda.<br><br>Corria sempre ao tug\u00fario do pobre, onde houvesse um mal a combater, levando ao aflito o conforto de sua palavra de bondade, o recurso da ci\u00eancia de m\u00e9dico e o aux\u00edlio da sua bolsa minguada e generosa.<br>Desviado interinamente da atividade pol\u00edtica e dedicando-se a empreendimentos empresariais, criou a Companhia de Estrada de Ferro Maca\u00e9, a Campos, na ent\u00e3o prov\u00edncia do Rio de Janeiro.<br><br>Depois, empenhou-se na constru\u00e7\u00e3o da via f\u00e9rrea de S. Ant\u00f4nio de P\u00e1dua, etapa necess\u00e1ria ao seu desejo, n\u00e3o concretizado, de lev\u00e1-la at\u00e9 o Rio Doce. Era um dos diretores da Companhia Arquitet\u00f4nica que, em 1872, abriu o &#8220;Boulevard 28 de Setembro&#8221;, no ent\u00e3o bairro de Vila Isabel, cujo top\u00f4nimo prestava homenagem \u00e0 Princesa Isabel. Em 1875, era presidente da Companhia Carril de S. Crist\u00f3v\u00e3o.<br>Retornando \u00e0 pol\u00edtica, foi eleito vereador em 1876, exercendo o mandato at\u00e9 1880. Foi ainda presidente da C\u00e2mara e Deputado Geral pela Prov\u00edncia do Rio de Janeiro, no ano de 1880.<br><br>O Dr. Carlos Travassos havia empreendido a primeira tradu\u00e7\u00e3o das obras de Allan Kardec e levara a bom termo a vers\u00e3o portuguesa de &#8220;O Livro dos Esp\u00edritos&#8221;. Logo que esse livro saiu do prelo levou um exemplar ao deputado Bezerra de Menezes, entregando-o com dedicat\u00f3ria. O epis\u00f3dio foi descrito do seguinte modo pelo futuro M\u00e9dico dos Pobres: &#8220;Deu-mo na cidade e eu morava na Tijuca, a uma hora de viagem de bonde. Embarquei com o livro e, como n\u00e3o tinha distra\u00e7\u00e3o para a longa viagem, disse comigo: ora, adeus! N\u00e3o hei de ir para o inferno por ler isto&#8230; Depois, \u00e9 rid\u00edculo confessar-me ignorante desta filosofia, quando tenho estudado todas as escolas filos\u00f3ficas.<br><br>Pensando assim, abri o livro e prendi-me a ele, como acontecera com a B\u00edblia. Lia. Mas n\u00e3o encontrava nada que fosse novo para meu Esp\u00edrito. Entretanto, tudo aquilo era novo para mim!&#8230; Eu j\u00e1 tinha lido ou ouvido tudo o que se achava no &#8220;O Livro dos Esp\u00edritos&#8221;.<br>Preocupei-me seriamente com este fato maravilhoso e a mim mesmo dizia: parece que eu era esp\u00edrita inconsciente, ou, mesmo como se diz vulgarmente, de nascen\u00e7a&#8221;.<br><br>No dia 16 de agosto de 1886, um audit\u00f3rio de cerca de duas mil pessoas da melhor sociedade enchia a sala de honra da Guarda Velha, na rua da Guarda Velha, atual Avenida 13 de Maio, no Rio de Janeiro, para ouvir em sil\u00eancio, emocionado, at\u00f4nito, a palavra s\u00e1bia do eminente pol\u00edtico, do eminente m\u00e9dico, do eminente cidad\u00e3o, do eminente cat\u00f3lico, Dr. Bezerra de Menezes, que proclamava a sua decidida convers\u00e3o ao Espiritismo.<br><br>Bezerra era um religioso no mais elevado sentido. Sua pena, por isso, desde o primeiro artigo assinado, em janeiro de 1887, foi posta a servi\u00e7o do aspecto religioso do Espiritismo.<br><br>Demonstrada a sua capacidade liter\u00e1ria no terreno filos\u00f3fico e religioso, quer pelas r\u00e9plicas, quer pelos estudos doutrin\u00e1rios, a Comiss\u00e3o de Propaganda da Uni\u00e3o Esp\u00edrita do Brasil, incumbiu-o de escrever, aos domingos, no &#8220;O Pa\u00eds&#8221; tradicional \u00f3rg\u00e3o da imprensa brasileira, a s\u00e9rie de &#8220;Estudos Filos\u00f3ficos&#8221;, sob o t\u00edtulo &#8220;O Espiritismo&#8221;. O Senador Quintino Bocai\u00fava, diretor daquele jornal de grande penetra\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o, &#8220;o mais lido do Brasil&#8221;, tornou-se mesmo simpatizante da Doutrina Esp\u00edrita.<br><br>Os artigos de Max, pseud\u00f4nimo de Bezerra de Menezes, marcaram a \u00e9poca de ouro da propaganda esp\u00edrita no Brasil. De novembro de 1886 a dezembro de 1893, escreveu ininterruptamente, ardentemente.<br><br>Da bibliografia de Bezerra de Menezes, antes e ap\u00f3s a sua convers\u00e3o do Espiritismo, constam os seguintes trabalhos: &#8220;A Escravid\u00e3o no Brasil e as medidas que conv\u00e9m tomar para extingui-la sem dano para a Na\u00e7\u00e3o&#8221;, &#8220;Breves considera\u00e7\u00f5es sobre as secas do Norte&#8221;, &#8220;A Casa Assombrada&#8221;, &#8220;A Loucura sob Novo Prisma&#8221;, &#8220;A Doutrina Esp\u00edrita como Filosofia Teog\u00f4nica&#8221;, &#8220;Casamento e Mortalha&#8221;, &#8220;P\u00e9rola Negra&#8221;, &#8220;L\u00e1zaro &#8211; o Leproso&#8221;, &#8220;Hist\u00f3ria de um Sonho&#8221;, &#8220;Evangelho do Futuro&#8221;. Escreveu ainda v\u00e1rias biografias de homens c\u00e9lebres, como o Visconde do Uruguai, o Visconde de Carval\u00e1s, etc.<br>Foi um dos redatores de &#8220;A Reforma&#8221;, \u00f3rg\u00e3o liberal da Corte, e redator do jornal &#8220;Sentinela da Liberdade&#8221;.<br><br>Bezerra de Menezes tinha a fun\u00e7\u00e3o de m\u00e9dico no mais elevado conceito, por isso, dizia ele: &#8220;Um m\u00e9dico n\u00e3o tem o direito de terminar uma refei\u00e7\u00e3o, nem de perguntar se \u00e9 longe ou perto, quando um aflito qualquer lhe bate \u00e0 porta. O que n\u00e3o acode por estar com visitas, por ter trabalhado muito e achar-se fatigado, ou por ser alta hora da noite, mau o caminho ou o tempo, ficar longe ou no morro, o que sobretudo pede um carro a quem n\u00e3o tem com que pagar a receita, ou diz a quem lhe chora \u00e0 porta que procure outro &#8211; esse n\u00e3o \u00e9 m\u00e9dico, \u00e9 negociante de medicina, que trabalha para recolher capital e juros dos gastos de formatura. Esse \u00e9 um desgra\u00e7ado, que manda para outro o anjo da caridade que lhe veio fazer uma visita e lhe trazia a \u00fanica esp\u00f3rtula que podia saciar a sede de riqueza do seu Esp\u00edrito, a \u00fanica que jamais se perder\u00e1 nos vaiv\u00e9ns da vida.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>* * *<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1883, reinava um ambiente francamente dispersivo no seio do Espiritismo brasileiro e os que dirigiam os n\u00facleos esp\u00edritas do Rio de Janeiro sentiam a necessidade de uma uni\u00e3o mais bem estruturada e que, por isso mesmo, se tornasse mais indestrut\u00edvel.<br><br>Os Centros, onde se ministrava a Doutrina, trabalhavam de forma aut\u00f4noma.<br>Cada um deles exercia a sua atividade em um determinado setor, sem conhecimento das atividades dos demais. Esse sentimento levou-os \u00e0 funda\u00e7\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o Esp\u00edrita Brasileira.<br><br>Nessa \u00e9poca j\u00e1 existiam muitas sociedades esp\u00edritas, por\u00e9m, as \u00fanicas que mantinham a hegemonia de mando eram quatro: a &#8220;Acad\u00eamica&#8221;, a &#8220;Fraternidade&#8221;, a &#8220;Uni\u00e3o Esp\u00edrita do Brasil&#8221; e a &#8220;Federa\u00e7\u00e3o Esp\u00edrita Brasileira&#8221;, entretanto, logo surgiram entre elas vivas disc\u00f3rdias.<br>Sob os ausp\u00edcios de Bezerra de Menezes, e acatando prescri\u00e7\u00f5es das importantes &#8220;Instru\u00e7\u00f5es&#8221; recebidas do plano espiritual pelo m\u00e9dium Frederico J\u00fanior, foi fundado o famoso &#8220;Centro Esp\u00edrita&#8221;, o que, entretanto, n\u00e3o impediu que Bezerra desse a sua colabora\u00e7\u00e3o a todas as outras institui\u00e7\u00f5es.<br><br>O entusiasmo dos esp\u00edritas logo se arrefeceu, e o velho seareiro se viu desamparado dos seus companheiros, chegando a ser o \u00fanico freq\u00fcentador do Centro. A cis\u00e3o era profunda entre os chamados &#8220;m\u00edsticos&#8221; e &#8220;cient\u00edficos&#8221;, ou seja, esp\u00edritas que aceitavam o Espiritismo em seu aspecto religioso, e os que o aceitavam simplesmente pelo lado cient\u00edfico e filos\u00f3fico.<br><br>Em 1893, a convuls\u00e3o provocada no Brasil pela Revolta da Armada, ocasionou o fechamento de todas as sociedades esp\u00edritas ou n\u00e3o. No Natal do mesmo ano Bezerra encerrou a s\u00e9rie de &#8220;Estudos Filos\u00f3ficos&#8221; que vinha publicando no &#8220;O Pa\u00eds&#8221;.<br>Em 1894, o ambiente mostrou tend\u00eancias para melhora e o nome de Bezerra de Menezes foi lembrado como o \u00fanico capaz de unificar o movimento esp\u00edrita.<br><br>O infatig\u00e1vel batalhador, com 63 anos de idade, assumiu a presid\u00eancia da Federa\u00e7\u00e3o Esp\u00edrita Brasileira, cargo que ocupou at\u00e9 a sua desencarna\u00e7\u00e3o.<br>Iniciava-se o ano de 1900, e Bezerra de Menezes foi acometido de violento ataque de congest\u00e3o cerebral, que o prostrou no leito, de onde n\u00e3o mais se levantaria.<br>Verdadeira romaria de visitantes acorria \u00e0 sua casa. Ora o rico, ora o pobre, ora o opulento, ora o que nada possu\u00eda.<br><br>Ningu\u00e9m desconhecia a luta tremenda em que se debatia a fam\u00edlia do grande ap\u00f3stolo do Espiritismo. Todos conheciam suas dificuldades financeiras, mas ningu\u00e9m teria a coragem de oferecer fosse o que fosse, de forma direta. Por isso, os visitantes depositavam suas esp\u00f3rtulas, delicadamente, debaixo do seu travesseiro. No dia seguinte, a pessoa que lhe foi mudar as fronhas, surpreendeu-se por ver ali desde o tost\u00e3o do pobre at\u00e9 a nota de duzentos mil reis do abastado!&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>* * *<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorrida a sua desencarna\u00e7\u00e3o, verdadeira peregrina\u00e7\u00e3o demandou sua resid\u00eancia a fim de prestar-lhe a \u00faltima visita.<br><br>No dia 17 de abril, promovido por Leopoldo Cirne, reuniram-se alguns amigos de Bezerra, a fim de chegarem a um acordo sobre a melhor maneira de amparar a sua fam\u00edlia, tendo ent\u00e3o sido formada uma comiss\u00e3o que funcionou sob a presid\u00eancia de Quintino Bocai\u00fava, senador da Rep\u00fablica, para se promover espet\u00e1culos e concertos, em benef\u00edcio da fam\u00edlia daquele que mereceu o cognome de &#8220;Kardec Brasileiro&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>* * *<\/p>\n\n\n\n<p>Digno de registro foi um caso sucedido com o Dr. Bezerra de Menezes, quando ainda era estudante de Medicina. Ele estava em s\u00e9rias dificuldades financeiras, precisando da quantia de cinq\u00fcenta mil r\u00e9is (antiga moeda brasileira), para pagamento das taxas da Faculdade e para outros gastos indispens\u00e1veis em sua habita\u00e7\u00e3o, pois o senhorio, sem qualquer contempla\u00e7\u00e3o, amea\u00e7ava despej\u00e1-lo.<br><br>Desesperado &#8211; uma das raras vezes em que Bezerra se desesperou na vida &#8211; e como n\u00e3o fosse incr\u00e9dulo, ergueu os olhos ao Alto e apelou a Deus.<br>Poucos dias ap\u00f3s bateram-lhe \u00e0 porta. Era um mo\u00e7o simp\u00e1tico e de atitudes polidas que pretendia tratar algumas aulas de Matem\u00e1tica.<br><br>Bezerra recusou, a princ\u00edpio, alegando ser essa mat\u00e9ria a que mais detestava, entretanto, o visitante insistiu e por fim, lembrando-se de sua situa\u00e7\u00e3o desesperadora, resolveu aceitar.<br>O mo\u00e7o pretextou ent\u00e3o que poderia esbanjar a mesada recebida do pai, pediu licen\u00e7a para efetuar o pagamento de todas as aulas adiantadamente.<br><br>Ap\u00f3s alguma relut\u00e2ncia, convencido, acedeu. O mo\u00e7o entregou-lhe ent\u00e3o a quantia de cinq\u00fcenta mil r\u00e9is. Combinado o dia e a hora para o in\u00edcio das aulas, o visitante despediu-se, deixando<br>Bezerra muito feliz, pois conseguiu assim pagar o aluguel e as taxas da Faculdade. Procurou livros na biblioteca p\u00fablica para se preparar na mat\u00e9ria, mas o rapaz nunca mais apareceu.<br><br>No ano de 1894, em face das dissens\u00f5es reinantes no seio do Espiritismo brasileiro, alguns confrades, tendo \u00e0 frente o Dr. Bittencourt Sampaio, resolveram convidar Bezerra a fim de assumir a presid\u00eancia da Federa\u00e7\u00e3o Esp\u00edrita Brasileira.<br>Em vista da relut\u00e2ncia dele em assumir aquele espinhoso encargo, travou-se a seguinte conversa\u00e7\u00e3o:<br><br>Querem que eu volte para a Federa\u00e7\u00e3o. Como voc\u00eas sabem aquela velha sociedade est\u00e1 sem presidente e desorientada. Em vez de trabalhos met\u00f3dicos sobre Espiritismo ou sobre o Evangelho, vive a discutir teses bizantinas e a alimentar o esp\u00edrito de hegemonia.<br><br>O trabalhador da vinha, disse Bittencourt Sampaio, \u00e9 sempre amparado. A Federa\u00e7\u00e3o pode estar errada na sua propaganda doutrin\u00e1ria, mas possui a Assist\u00eancia aos Necessitados, que basta por si s\u00f3 para atrair sobre ela as simpatias dos servos do Senhor.<br><br>De acordo. Mas a Assist\u00eancia aos necessitados est\u00e1 adotando exclusivamente a Homeopatia no tratamento dos enfermos, terap\u00eautica que eu adoto em meu tratamento pessoal, no de minha fam\u00edlia e recomendo aos meus amigos, sem ser, entretanto, m\u00e9dico homeopata. Isto ali\u00e1s me tem criado s\u00e9rias dificuldades, tornando-me um m\u00e9dico in\u00fatil e deslocado que n\u00e3o cr\u00ea na medicina oficial e aconselha a dos Esp\u00edritos, n\u00e3o tendo assim o direito de exercer a profiss\u00e3o.<br><br>E por que n\u00e3o te tornas m\u00e9dico homeopata? disse Bittencourt.<br>N\u00e3o entendo patavinas de Homeopatia. Uso a dos Esp\u00edritos e n\u00e3o a dos m\u00e9dicos.<br><br>Nessa altura, o m\u00e9dium Frederico J\u00fanior, incorporando o Esp\u00edrito de S. Agostinho, deu um aparte:<br>Tanto melhor. Ajudar-te-emos com maior facilidade no tratamento dos nossos irm\u00e3os.<br>Como, bondoso Esp\u00edrito? Tu me sugeres viver do Espiritismo?<br><br>N\u00e3o, por certo! Viver\u00e1s de tua profiss\u00e3o, dando ao teu cliente o fruto do teu saber humano, para isso estudando Homeopatia como te aconselhou nosso companheiro Bittencourt. N\u00f3s te ajudaremos de outro modo: Trazendo-te, quando precisares, novos disc\u00edpulos de Matem\u00e1tica&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Federa\u00e7\u00e3o Esp\u00edrita do Estado de S\u00e3o Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conhe\u00e7a o infatig\u00e1vel trabalhador que ficou conhecido como &#8220;O m\u00e9dico dos pobres&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":1251,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1249"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1249"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1249\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1251"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1249"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1249"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1249"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}