{"id":1241,"date":"2020-05-22T15:29:50","date_gmt":"2020-05-22T18:29:50","guid":{"rendered":"http:\/\/161.35.11.199\/?p=1241"},"modified":"2020-05-22T15:29:50","modified_gmt":"2020-05-22T18:29:50","slug":"analia-franco-a-dama-da-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/2020\/05\/22\/analia-franco-a-dama-da-educacao\/","title":{"rendered":"An\u00e1lia Franco, a Dama da Educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>Nascida na cidade de Resende, Estado do Rio de Janeiro, no dia 1o. de fevereiro de 1856, e desencarnada em S. Paulo, no dia 13 de janeiro de 1919.&nbsp;Seu nome de solteira era An\u00e1lia Em\u00edlia Franco. Ap\u00f3s consorciar- se em matrim\u00f4nio com Francisco Ant\u00f4nio Bastos, seu nome passou a ser An\u00e1lia Franco Bastos, entretanto, \u00e9 mais conhecida por An\u00e1lia Franco.<\/p>\n\n\n\n<p>Com 16 anos de idade entrou num Concurso de C\u00e2mara dessa cidade e logrou aprova\u00e7\u00e3o para exercer o cargo de professora prim\u00e1ria. Trabalhou como assistente de sua pr\u00f3pria m\u00e3e durante algum tempo. Anteriormente a 1875 diplomou- se Normalista, em S. Paulo.<br><br><br><strong>Voca\u00e7\u00e3o Liter\u00e1ria<br><\/strong><br>Foi ap\u00f3s a Lei do Ventre Livre que sua verdadeira voca\u00e7\u00e3o se exteriorizou: a voca\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria. J\u00e1 era por esse tempo not\u00e1vel como literata, jornalista e poetisa, entretanto, chegou ao seu conhecimento que os nascituros de escravas estavam previamente destinados \u00e0 &#8220;Roda&#8221; da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia. J\u00e1 perambulavam, mendicantes, pelas estradas e pelas ruas, os negrinhos expulsos das fazendas por impr\u00f3prios para o trabalho. N\u00e3o eram, como at\u00e9 ent\u00e3o &#8220;negoci\u00e1veis&#8221;, com seus pais e os adquirentes de cativos davam prefer\u00eancia \u00e0s escravas que n\u00e3o tinham filhos no ventre. An\u00e1lia escreveu, apelando para as mulheres fazendeiras. Trocou seu cargo na Capital de S\u00e3o Paulo por outro no Interior, a fim de socorrer as criancinhas necessitadas. Num bairro duma cidade do norte doEstado de S. Paulo conseguiu uma casa para instalar uma escola prim\u00e1ria. Uma fazendeira rica lhe cedeu a casa escolar com uma condi\u00e7\u00e3o, que foi frontalmente repelida por An\u00e1lia: n\u00e3o deveria haver promiscuidade de crian\u00e7as brancas e negras. Diante dessa condi\u00e7\u00e3o humilhante foi recusada a gratuidade do uso da casa, passando a pagar um aluguel. A fazendeira guardou ressentimento \u00e0 altivez da professora, por\u00e9m, naquele local An\u00e1lia inaugurou a sua primeira e original &#8220;Casa Maternal&#8221;. Come\u00e7ou a receber todas as crian\u00e7as que lhe batiam \u00e0 porta, levadas por parentes ou apanhadas nas moitas e desvios dos caminhos. A fazendeira, abusando do prest\u00edgio pol\u00edtico do marido, vendo que a sua casa, embora alugada, se transformara num albergue de negrinhos, resolveu acabar com aquele &#8220;esc\u00e2ndalo&#8221; em sua fazenda. Promoveu dilig\u00eancias junto ao coronel e este conseguiu facilmente a remo\u00e7\u00e3o da professora. An\u00e1lia foi para a cidade e alugou uma casa velha, pagando de seu bolso o aluguel correspondente \u00e0 metade do seu ordenado. Como o restante era insuficiente para a alimenta\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, n\u00e3o trepidou em ir, pessoalmente, pedir esmolas para a meninada. Partiu de manh\u00e3, \u00e0 p\u00e9, levando consigo o grupinho escuro que ela chamava, em seus escritos, de &#8220;meus alunos sem m\u00e3es&#8221;. Numa folha local anunciou que, ao lado da escola p\u00fablica, havia um pequeno &#8220;abrigo&#8221; para as crian\u00e7as desamparadas. A fama, nem sempre favor\u00e1vel da novel professora, encheu a cidade. A curiosidade popular tomou- se de espanto, num domingo de festa religiosa. Ela apareceu nas ruas com seus &#8220;alunos sem m\u00e3es&#8221;, em bando precat\u00f3rio. Mo\u00e7a e magra, modesta e altiva, aquela impressionante figura de mulher, que mendigava para filhos de escravas, tornou- se o esc\u00e2ndalo do dia. Era uma mulher perigosa, na opini\u00e3o de muitos. Seu afastamento da cidade principiou a ser objeto de considera\u00e7\u00e3o em rodas pol\u00edticas, nas farm\u00e1cias. Mas rugiu a seu favor um grupo de abolicionistas e republicanos, contra o grande grupo de cat\u00f3licos, escravocratas e monarquistas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/161.35.11.199\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/analia_franco-1-754x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1243\" width=\"341\" height=\"463\" srcset=\"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/analia_franco-1-754x1024.jpg 754w, https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/analia_franco-1-221x300.jpg 221w, https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/analia_franco-1-768x1043.jpg 768w, https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/analia_franco-1.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 341px) 100vw, 341px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Com o decorrer do tempo, deixando algumas escolas maternais no Interior, veio para S. Paulo. Aqui entrou brilhantemente para o grupo abolicionista e republicano. Sua miss\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o era pol\u00edtica. Sua preocupa\u00e7\u00e3o maior era com as crian\u00e7as desamparadas, o que a levou a fundar uma revista pr\u00f3pria, intitulada &#8220;\u00c1lbum das Meninas&#8221;, cujo primeiro n\u00famero veio a lume a 30 de abril de 1898. O artigo de fundo tinha o t\u00edtulo &#8220;\u00c0s m\u00e3es e educadoras&#8221;. Seu prest\u00edgio no seio do professorado j\u00e1 era grande quando surgiram a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura e a Rep\u00fablica. O advento dessa nova era encontrou An\u00e1lia com dois grandes col\u00e9gios gratuitos para meninas e meninos. E logo que as leis o permitiram, ela, secundada por vinte senhoras amigas, fundou o instituto educacional que se denominou &#8220;Associa\u00e7\u00e3o Feminina Beneficente e Instrutiva&#8221;, no dia 17 de novembro de 1901, com sede no Largo do Arouche, em S. Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seguida criou v\u00e1rias &#8220;Escolas Maternais&#8221; e &#8220;Escolas Elementares&#8221;, instalando, com inaugura\u00e7\u00e3o solene a 25 de janeiro de 1902, o &#8220;Liceu Feminino&#8221;, que tinha por finalidade instruir e preparar professoras para a dire\u00e7\u00e3o daquelas escolas, com o curso de dois anos para as professoras de &#8220;Escolas Maternais&#8221; e de tr\u00eas anos para as &#8220;Escolas Elementares&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>An\u00e1lia Franco publicou numerosos folhetos e op\u00fasculos referentes aos cursos ministrados em suas escolas, tratados especiais sobre a inf\u00e2ncia, nos quais as professoras encontraram meios de desenvolver as faculdades afetivas e morais das crian\u00e7as, instruindo- as ao mesmo tempo. O seu op\u00fasculo &#8220;O Novo Manual Educativo&#8221;, era dividido em tr\u00eas partes: Inf\u00e2ncia, Adolesc\u00eancia e Juventude.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1o. de dezembro de 1903, passou a publicar &#8220;A Voz Maternal&#8221;, revista mensal com a apreci\u00e1vel tiragem de 6.000 exemplares, impressos em oficinas pr\u00f3prias.<\/p>\n\n\n\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Feminina mantinha um Bazar na rua do Ros\u00e1rio n.o. 18, em S. Paulo, para a venda dos artefatos das suas oficinas, e uma sucursal desse estabelecimento na Ladeira do Piques n.o. 23.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><br>Obras<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>An\u00e1lia Franco mantinha Escolas Reunidas na Capital e Escolas Isoladas no Interior, Escolas Maternais, Creches na Capital e no Interior do Estado, Bibliotecas anexas \u00e0s escolas, Escolas Profissionais, Arte Tipogr\u00e1fica, Curso de Escritura\u00e7\u00e3o Mercantil, Pr\u00e1tica de Enfermagem e Arte Dent\u00e1ria, L\u00ednguas (franc\u00eas, italiano, ingl\u00eas e alem\u00e3o); M\u00fasica, Desenho, Pintura, Pedagogia, Costura, Bordados, Flores artificiais e Chap\u00e9us, num total de 37 institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Era romancista, escritora, teatr\u00f3loga e poetisa. Escreveu uma infinidade de livretos para a educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e para as Escolas, os quais s\u00e3o dignos de serem adotados nas Escolas p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Era esp\u00edrita fervorosa, revelando sempre inusitado interesse pelas coisas atinentes \u00e0 Doutrina Esp\u00edrita.<\/p>\n\n\n\n<p>Produziu a sua vasta cultura tr\u00eas \u00f3timos romances: &#8220;A \u00c9gide Materna&#8221;, &#8220;A Filha do Artista&#8221;, e &#8220;A Filha Adotiva&#8221;. Foi autora de numerosas pe\u00e7as teatrais, de di\u00e1logos e de v\u00e1rias estrofes, destacando- se &#8220;Hino a Deus&#8221;, &#8220;Hino a Ana Nery&#8221;, &#8220;Minha Terra&#8221;, &#8220;Hino a Jesus&#8221; e outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1911 conseguiu, sem qualquer recurso financeiro, adquirir a &#8220;Ch\u00e1cara Para\u00edso&#8221;. Eram 75 alqueires de terra, parte em matas e capoeiras e o restante ocupado com benfeitorias diversas, entre as quais um velho solar, ocupado durante longos anos por uma das mais not\u00e1veis figuras da Hist\u00f3ria do Brasil: Diogo Ant\u00f4nio Feij\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa ch\u00e1cara fundou An\u00e1lia Franco a &#8220;Col\u00f4nia Regeneradora D. Romualdo&#8221;, aproveitando o casar\u00e3o, a estrebaria e a antiga senzala, internando ali sob dire\u00e7\u00e3o feminina, os garotos mais aptos para a Lavoura, a horticultura e outras atividades agropastoris, recolhendo ainda mo\u00e7as desviadas, conseguindo assim regenerar centenas de mulheres.<br>A vasta sementeira de An\u00e1lia Franco consistiu em 71 Escolas, 2 albergues, 1 col\u00f4nia regeneradora para mulheres, 23 asilos para crian\u00e7as \u00f3rf\u00e3s, 1 Banda Musical Feminina, 1 orquestra, 1 Grupo Dram\u00e1tico, al\u00e9m de oficinas para manufatura de chap\u00e9us, flores artificiais, etc., em 24 cidades do Interior e da Capital.<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Desencarna\u00e7\u00e3o<br><\/strong><br>Sua desencarna\u00e7\u00e3o ocorreu precisamente quando havia tomado a delibera\u00e7\u00e3o de ir ao Rio de Janeiro fundar mais uma institui\u00e7\u00e3o, ideia essa concretizada posteriormente pelo seu esposo, que ali fundou o &#8220;Asilo An\u00e1lia Franco&#8221;.<br>A obra de An\u00e1lia Franco foi, incontestavelmente, uma das mais salientes e merit\u00f3rias da Hist\u00f3ria do Espiritismo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi ap\u00f3s a Lei do Ventre Livre que sua verdadeira voca\u00e7\u00e3o de exteriorizou: a voca\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":1244,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1241"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1241"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1241\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1244"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1241"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1241"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.revistaautadesouza.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1241"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}