O jovem e a sociedade – conflito de gerações?

O que o adolescente espera da sociedade e o que a sociedade espera do adolescente

O adolescente é um ser novo, utilizando-se do laboratório fisiopsíquico em diferente expressão daquela a que se acostumara.
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Em razão da imaturidade, o adolescente espera compreensão e auxílio da sociedade, que lhe deve facultar campo para todos os conflitos, não os refreando nem os corrigindo, de forma que o mundo se lhe torne favorável área para as suas experimentações, nem sempre corretas, dando surgimento a novos conceitos e novas propostas de vida.

Essa aspiração é justa, no entanto o ônus é muito alto quando os resultados se apresentam funestos ou danosos, o que normalmente ocorre, tendo-se em vista que a inadequação do jovem ao existente impede-o de entender o que sucede, não possuindo recursos para solucionar os desafios que surgem e a todos aguardam.
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O adolescente sempre espera da sociedade a oportunidade de desfrutar dos prazeres em indefinição nele mesmo. Estando em crise de identidade, não sabe realmente o que deseja, podendo mudar de um para outro momento e isto não pode ser seguido pelo grupo social, que teria o dever de abandonar os comportamentos aceitos a fim de incorporar insustentáveis condutas, que logo cedem lugar a novas experiências.
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Por sua vez, a sociedade espera que o adolescente se submeta aos seus quadros de comportamento estabelecido, muitas vezes necessitados de renovação, de mudança, face aos imperativos da lei do progresso.

O adulto, representando o contexto social, acredita que, oferecendo ao adolescente os recursos para uma existência equilibrada, educação, trabalho, religião, esportes, etc., ter-se-á desincumbido totalmente do compromisso, não se devendo preocupar com mais nada e aguardando a resposta do entendimento juvenil mediante apoio irrestrito, cooperação constante, continuidade dos seus empreendimentos.

Seria tediosa, a vida social, e retrógrada, se fosse continuada sem as inevitáveis mudanças impostas pelo progresso e trabalhadas pelas gerações novas, às vezes inspiradas pelo pensamento filosófico ou científico, pelo idealismo da beleza e da arte, da religião e da tecnologia, que encontram nos jovens a sua força motriz.

Todos os grandes empreendimentos e movimentos da História, surgidos nas almas luminosas dos eminentes missionários, repercutiram na juventude e obtiveram a resposta em forma de desafio para sua implantação, do que decorreram as admiráveis transformações sociais e humanas que se impuseram na sucessão dos tempos.

É inevitável, portanto, que o conflito de gerações, que é resultado da imposição caprichosa de parte a parte, seja resolvido pelo intercâmbio de ideias e compreensão de necessidades reais do grupo social e do adolescente, estabelecendo-se pontes de entendimento e cooperação, para que os dois extremos se acerquem do objetivo, que é o auxílio recíproco.

A sociedade, na condição de bloco de identificação de valores, espera que o adolescente venha partilhar das suas definições sem as testar, sem experimentar a sua fragilidade e resistências, o que seria uma acomodação, senão também uma forma de submissão passiva, inviável para o ser em formação. A própria identidade do adolescente, que está buscando rumos, reage contra tudo que se encontra feito, terminado, e não passou pelo seu crivo, não experimentou a sua participação.

O adulto de hoje esquece-se do seu superado período de adolescência — se é que já ocorreu — quando também anelou muito e não conseguiu tudo quanto gostaria de realizar, foi aguardado e não correspondeu à expectativa dos seus ancestrais. Não obstante, isto não implica em aceitar toda imposição descabida ou qualquer indiferença mórbida pelo processo social.

Somente uma aproximação natural do adolescente, com o grupo social em tranqüila integração, resolve o questionamento que não se justifica, lima as arestas das dificuldades existentes, trabalha as diferenças de comportamento e, juntos, avançam em favor de um futuro melhor, onde todos estarão presentes construindo o bem.

Joanna de Ângelis. Adolescência e vida. Psicografado por Divaldo Pereira Franco. 6.ed., Cap.9