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SESC

22 Ago 2017 13h53

Reconhecendo o amar ao próximo na juventude


O despertar do sentimento do amor na adolescência é sempre enriquecedor.

Uma poesia nova toma conta da existência e todas as coisas se tornam coloridas, oferecendo impressões dantes não percebidas, que se transformam em fonte de inspiração para as definições de atitudes e prosseguimento daquelas que já se incorporaram ao seu perfil humano e à sua identidade em relação à vida.

A aceitação pelo grupo social emula-o a permanecer desenvolvendo as suas tendências, que são elegidas conforme a capacidade mesma de amar ao próximo e sentir quanto poderá contribuir em favor de melhores dias e mais dignas realizações que lhe estejam ao alcance.

Nesse momento, há o descobrimento da necessidade do inter-relacionamento pessoal, escolhendo melhor os indivíduos com os quais deve conviver e crescer, permitindo-se envolver por aqueles que provocam maior empatia e se lhe tornam modelares pela riqueza de valores morais e culturais de que se fazem portadores.

O sexo experimenta mais saudável orientação, deixando de ser direcionado pelos impulsos do instinto, para ser emulado pelo sentimento da afetividade.

O próximo já não se lhe apresenta como estranho, o ser distante, mas a pessoa mais perto dele, seja pelo sentimento de fraternidade, seja pelo companheirismo, tornando-se membro do seu clã, cuja presença e afetividade o compensam emocionalmente.

Sob a motivação do amor, os seus planos em relação ao futuro ganham significado e o tecido social não mais se lhe mostra esgarçado conforme ocorria antes. Afinal, a vida física tem como finalidade precípua contribuir em favor da sociedade modificada para melhor, quando as criaturas adquirem motivações para prosseguirem no desempenho das suas atividades, libertando-se dos conflitos externos e das pressões que geram desequilíbrios, levando as massas de roldão ao desespero.

As experiências desenvolvidas na infância, no que diz respeito à cooperação, resultado das brincadeiras que ampliaram a capacidade de trocar brinquedos e alimentos, transformam-se em sentimentos de amor, que crescem em altruísmo e solidariedade.

Esse partilhar, esse expressar solidariedade, exige a contribuição valiosa e inestimável do sacrifício pessoal, sem correr o risco da competitividade, do conflito, já que proporciona a compensação de descobrir-se útil, portanto, participante do progresso que se torna inevitável.

A auto-estima acentua-se, no adolescente, que descobre ser aceito pelo seu grupo social, particularmente pelos valores íntimos de que se faz portador, pela capacidade de cooperar, de eliminar dificuldades e impulsionar para a frente todos aqueles que se lhe acercam.

Essa valorização do si exterioriza-se como forma de autoconhecimento, que expande o amor, favorecendo a lídima fraternidade.

Naturalmente surgem momentos difíceis, caracterizados por decisões que não são ideais, mas a experiência do erro demonstra que aquela é a forma menos eficaz para a colheita de resultados felizes, o que ajuda no amadurecimento das realizações.

Sem receio de novas tentativas, permite-se ampliar o círculo de relacionamentos e contribuir de alguma forma em favor das demais pessoas.

Esse tentame sócio-afetivo começa no lar, onde o adolescente redescobre a família, reaproxima-se dos pais, entendendo-lhes a linguagem e os interesses que mantiveram em oferecer o melhor, nem sempre pelos caminhos mais certos.

Aparece um valioso sentimento de afetividade e de tolerância para os erros da educação, eliminando mágoas e reservas emocionais que eram mantidas, ao mesmo tempo transformando-se em motivo de contentamento geral.

Da reintegração no conjunto da família se alarga em novas motivações com os colegas e amigos, na escola, no trabalho, no clube de esportes e área de folguedos, porque os seus são sentimentos do amor que plenifica.

É característica desse período não exigir ser amado, mas compensar-se enquanto ama, efetuando uma auto-realização emocional.

A sua filosofia de vida o induz ao espírito de solidariedade mais ampla, cabendo a doação de coisas e até mesmo uma certa forma de autodoação.
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A conquista do amor, pelo adolescente, nele desenvolve o comportamento altruístico, no qual se destacam a empatia, o sentimento de compartilhar a preocupação e o problema do seu próximo, sem que isso propicie conflito. Ao mesmo tempo, desde o período infantil, o surgimento do auto controle torna-se indispensável para o êxito do amor, afim de que os excessos na solidariedade não se tornem comprometedores.

É necessário saber preservar-se, de forma que possa continuar como valores aceitos sem o desgaste das decepções e choques que ocorrem no inter-relacionamento pessoal, particularmente na área da afetividade. A auto-estima sabe selecionar o que fazer, como fazer e quando realizá-lo, de forma que o adolescente possa continuar com o entusiasmo que experimenta, quando ama, sem o exagero da paixão sem orientação, ou a frieza da indiferença que resultaria na morte do amor.

A autoconscientização que se vem desenvolvendo desde a infância, nesse comenos, torna-se mais importante, propondo a valorização dos atributos morais, espirituais e culturais que devem ser preservados, enquanto os outros que transitam passam a receber a consideração normal, sem o apego que escraviza nem o desprezo que desnorteia.

É evidente que esse processo continuará por toda a vida, já que as etapas da consciência se desdobram paulatinamente em sentido ascensional e de profundidade, que o milagre do amor e do conhecimento consegue estimular para prosseguir.

O grande desafio do amor na vida, quando solucionado, proporciona ao adolescente a paz de que se deixa penetrar, bem como a auto-realização que passa a fazer parte do seu programa de crescimento e de felicidade.

Joanna de Ângelis. Adolescência e vida. Psicografado por Divaldo Pereira Franco. Cap.17