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SESC

04 Set 2017 21h10

Obsessão no lar

“Sendo o ambiente doméstico aquele no qual se encontram os indivíduos de variados pendores, em virtude dos seus viveres pregressos, em outras reencarnações, não poderemos aguardar um relacionamento uniforme, ou mesmo de todo harmônico.[...].

É comum encontrar nas veredas domésticas as conhecidas crises de irritação raiando para a cólera; tristezas e aborrecimentos derrapando para a depressão; excessos de euforia descambando para os desentendimentos; brincadeiras impensadas desbordando para a ofensa que magoa tanto quanto o falatório descaridoso determinando mal-estares e arrependimentos e assim por diante.
 
Cada qual que se coloque tranqüilo, oferece ao conjunto a sua contribuição pacificadora, cada um que se julgue no direito de esbravejar, de vociferar, de impor e de danar, descarrega sua peçonha mental no ambiente, provocando distúrbio geral.[...].
 
Na vida da família, todos os tipos de vícios, materiais e morais, costumam servir de alimento para as obsessões em casa.
 
Os goles e as baforadas, o garfo hiperativo, o excesso de sono ao lado dos desatinos das práticas sexuais são grandes facilitadores dos processos de obsessão.
 
Por outro lado, o ciúme, o egoísmo, a vaidade, o apego desenfreado a pessoas e coisas tornam-se fabulosas bases para que se instalem os viscos da atuação perturbadora da treva.
 
Os gritos e os mutismos de gelo, tanto quanto a indiferença e o sentimento de posse costumam ser, da mesma maneira, notáveis materiais fomentadores da desarmonia doméstica.” (Thereza de Brito, Vereda familiar, p. 87-88).
 
“Na psicopatologia das personalidades múltiplas ou anômalas, não podemos descartar a realidade espiritual do próprio paciente. [...].
 
Bem sabemos que as agressões da brutalidade contra a criança, da violência sexual, do temor sistemático, geram conflitos e aspirações libertáveis que, na impossibilidade de agir com a energia própria, dão nascimento a entidades que assomam, dominando o inconsciente e realizando-se, além das conjunturas impiedosas dessas frustrações de impotência moral, social, econômica ou psíquica. [...]. 
 
Vezes, porém, ocorrem, nas quais, além das personificações construídas pelo inconsciente, predominam entidades conscientes de outra dimensão, que obsidiam e atormentam aqueles a quem odeiam ou supõem lhes devam compreensão e amor. [...]. 
 
A obsessão sutil e perigosa grassa dominadora, e, na área das enfermidades mentais de todo porte, o doente é sempre o réu na consciência culpada, reparando os gravames das vidas passadas e erigindo a sua realidade moral, com a qual o pensamento e a ação se conjugam para a elevação e a saúde real, que somente são possíveis através da consciência asserenada, sem culpa nem rebeldia.
Manoel Philomeno de Miranda” (Joanna de Ângelis e espíritos diversos, S.O.S. família, 7. ed., p. 84-86).