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SESC

04 Set 2017 21h47

O animismo na prática

 O ANIMISMO NA PRÁTICA – UM CASO DE ANDRÉ LUIZ
 
Livro: Nos domínios da mediunidade
 
Personagens: Raul Silva,a doutrinador; Áulus e Clementino, mentores espirituais; dona Celina e médiuns da Casa Espírita
 
SITUAÇÃO DOS PERSONAGENS E AMBIENTE
André Luiz e Hilário acompanham o Assistente Áulus em visita a um grupo espírita na crosta em reunião para tratamento desobsessivo.
   
Obsediada

Uma das senhoras que se encontrava para receber tratamento no Centro e que criou a seguinte situação:
“[...]eis que uma das senhoras enfermas cai em pranto convulsivo, exclamando:
— Quem me socorre? quem me socorre?... E comprimindo o peito com as mãos, acrescentava em tom comovedor:
— Covarde! por que apunhalar, assim, uma indefesa mulher? serei totalmente culpada? meu sangue condenará seu nome infeliz...

 
Obsessor

Entidade masculina, antigo desafeto da paciente, que a persegue do plano espiritual e durante a manifestação, não longe fitava a enferma “ com inexpremível desalento.”
 
 
Aproximação dos Campos da Aura


Acompanhemos o relato de Hilário, André Luiz e Áulus:
“— Não vejo a entidade de quem a nossa irmã se faz intérprete — alegou Hilário, curioso.
— Sim — disse por minha vez —; observo em nossa vizinhança um triste companheiro desencarnado, mas se ele estivesse telepaticamente ligado à nossa amiga, decerto a mensagem definiria a palavra de um homem, sem as características femininas da lamentação que registramos... Em verdade, não notamos aqui qualquer laço magnético que nos induza a assinalar fluidos teledinâmicos sobre a mente da médium...
Aulus afagou a fronte da doente em lágrimas, como se lhe auscultasse o pensamento, e explicou:
— Estamos diante do passado de nossa companheira. A mágoa e o azedume, tanto quanto a personalidade supostamente exótica de que dá testemunho, tudo procede dela mesma... Ante a aproximação de antigo desafeto, que ainda a persegue de nosso plano, revive a experiência dolorosa que lhe ocorreu, em cidade do Velho Mundo, no século passado, e entra em seguida a padecer insopitável melancolia.
 


Consequências das Trocas Energéticas
 
Visitas do antigo verdugo e seus efeitos
“Recomeçou a luta na carne, na presente reencarnação, possuída de novas esperanças, contudo, tão logo experimenta a visitação espiritual do antigo verdugo, que a ela se enleia, através de vigorosos laços de amor e ódio, perturba-se-lhe a vida mental, necessitada de mais ampla reeducação. É um caso no qual se faz possível a colheita de valiosos ensinamentos.”
Revivendo o passado sob influenciação
Respondendo a uma indagação de Hilário, esclareceu Áulus:

“— Isso quer dizer que nossa irmã imobilizou grande coeficiente de forças do seu mundo emotivo, em torno da experiência a que nos referimos, a ponto de semelhante cristalização mental haver superado o choque biológico do renascimento no corpo físico, prosseguindo quase que intacta.

Fixando-se nessa lembrança, quando instada de mais perto pelo companheiro que lhe foi irrefletido algoz, passa a comportar-se qual se estivesse ainda no passado que teima em ressuscitar. E’ então que se dá a conhecer como personalidade diferente, a referir-se à vida anterior.”
 
 
Mediunidade - Animismo
 

Comentário de Áulus
“Aulus afagou a fronte da doente em lágrimas, como se lhe auscultasse o pensamento, e explicou:

— Estamos diante do passado de nossa companheira. A mágoa e o azedume, tanto quanto a personalidade supostamente exótica de que dá testemunho, tudo procede dela mesma...”
Conclui André Luiz

“— Mediunicamente falando, vemos aqui um processo de autêntico animismo. Nossa amiga supõe encarnar uma personalidade diferente, quando apenas exterioriza o mundo de si mesma...”
 
 
Teoria Animista: Travão Injustificável 


“— Poderíamos, então, classificar o fato no quadro da mistificação inconsciente? — interferiu Hilário, indagador.

Aulus meditou um minuto e ponderou:

— Muitos companheiros matriculados no serviço de implantação da Nova Era, sob a égide do Espiritismo, vêm convertendo a teoria animista num travão injustificável a lhes congelarem preciosas oportunidades de realização do bem; portanto, não nos cabe adotar como justas as palavras «mistificação inconsciente ou subconsciente, para batizar o fenômeno. Na realidade, a manifestação decorre dos próprios sentimentos de nossa amiga, arrojados ao pretérito, de onde recolhe as impressões deprimentes de que se vê possuída, externando-as no meio em que se encontra. E a pobrezinha efetua isso quase na posição de perfeita sonâmbula, porqüanto se concentra totalmente nas recordações que já assinalamos, como se reunisse todas as energias da memória numa simples ferida, com inteira despreocupação das responsabilidades que a reencarnação atual lhe confere. Achamo-nos, por esse motivo, perante uma doente mental, requisitando-nos o maior carinho para que se recupere.”
 
 
Mediunidade 

Hilário: “ — E podemos considerá-la médium, mesmo assim?

Áulus:     — Como não? Um vaso defeituoso pode ser consertado e restituido ao serviço. Naturalmente, agora a paciência e a caridade necessitam agir para salvá-la. Nossa irmã deve ser ouvida na posição em que se revela, como sendo em tudo a desventurada mulher de outro tempo, e recebida por nós nessa base, para que use o remédio moral que lhe estendemos, desligando-se enfim do passado... O assunto não comporta desmentido, porque indiscutívelmente essa mulher existe ainda nela mesma. A personalidade antiga não foi tão eclipsada pela matéria densa como seria de desejar. Ela renasceu pela carne, sem renovar-se em espírito...”
 
 
Forças aplicas no Socorro

“Nessa altura, Raul Silva, na condição de hábil psicólogo, convidou a doente ao benefício da prece.
Competia-lhe a ela suplicar ao Céu a graça do olvido.

Cabia-lhe expungir o passado da imaginação, de maneira a pacificar-se. E, singularmente comovido, recomendou-lhe repetir em companhia dele as frases sublimes da oração dominical.
 
A pobre senhora acompanhou-o docilmente.
Ao término da súplica, mostrava-se mais tranqüila.

O prestimoso amigo, traduzindo a colaboração do mentor que o acompanhava, solícito, rogou-lhe considerar, acima de tudo, o impositivo do perdão aos inimigos para a reconquista da paz e, em lágrimas, a enferma desligou-se das impressões que a imobilizavam no pretérito, tornando à posição normal.”

 
 
 

Leia esse e outros casos no livro ESTUDANDO ANDRÉ LUIZ da Editora Auta de Souza.