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SESC

11 Set 2017 21h14

Estudo e Trabalho

Espíritas! Amai-vos; este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo.

A Espiritualidade Superior vem insistindo, através de consecutivas mensagens, pela necessidade do estudo e do trabalho nas fileiras renovadoras do Espiritismo.
Amor e Instrução têm sido, em verdade, a palavra de ordem dos Mensageiros do Cristo.

Os trabalhadores encarnados, identificando-se com o pensamento e a orientação dos que acompanham, de Mais Alto, a surpreendente e irresistível marcha da Doutrina, sentem-se, naturalmente, no dever de secundá-los na recomendação.

Aliás, não é de agora que os Espíritos exortam os homens ao estudo, à instrução, à cultura — cultura, no entanto, que não envaideça o homem, mas o torne humilde, sinceramente humilde.
Humilde de dentro para fora.

Quando se lançavam na França os fundamentos do Espiritismo, iluminadas entidades que organizavam a Codificação, utilizando-se da personalidade  missionária de Allan Kardec, já despertavam os obreiros da primeira hora para o imperativo da instrução.
O Espírito de Verdade, cujas palavras deixam indiscutivelmente entrever uma transcendente autoridade, comunicando-se em Paris, em 1860, exortava, incisivo:

“Espíritas! Amai-vos; este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo.”

O Amor é o Trabalho, a Ação, o Serviço.

A Instrução é a leitura, o Estudo, o Conhecimento.
Amor e Instrução constituem, por conseguinte, duas alavancas, duas ferramentas que devem estar, noite e dia, nas mãos dos Espíritas.

Através do Amor, exerceremos a solidariedade. Identificar-nos-emos com o sofrimento do próximo. Visitaremos o enfermo e o encarcerado.
Despertaremos, enfim, no âmago de nossa individualidade eterna, a centelha de bondade que existe, potencialmente, em cada ser.

Através do estudo, aprenderemos a discernir o erro da verdade; a claridade, da sombra, e a sinceridade, da hipocrisia.
O Espiritismo, como acentua Allan Kardec, não é uma Doutrina que induza os seus adeptos a estranhas, esdrúxulas singularidades.

Nem estudo, sem amor; nem amor, sem estudo. Em suma: nem bondade desprovida de conhecimento, nem conhecimento com ausência de bondade.
Amor sem estudo é comportamento unilateral, favorecendo, apenas, o coração, o sentimento, mas retardando a ascensão para Deus.

Estudo sem amor constitui, quase sempre, experiência simplesmente intelectual, podendo levar à presunção e à vaidade, ameaçando o aprendiz de
queda ou fracasso.
É que, via de regra, consoante adverte Paulo de Tarso, “o saber ensoberbece, mas o amor edifica”.  

Emmanuel, falando-nos ao coração, exorta, também:
“Recorda que, em Doutrina Espírita, é preciso estudar e aprender, entender e explicar.”

Aconselha, outrossim, a divulgação do “estudo nobre”.
Todavia, reconhecendo a fragilidade humana, destaca a necessidade de o Espírita, pelo amor, “alicerçar as palavras no exemplo”.

Observando o empenho dos Instrutores Espirituais na incessante recomendação ao estudo, não devemos esquecer que Léon Denis,
preocupado, decerto, com o problema da ignorância, que leva ao fanatismo, asseverava, no seu tempo: “O Espiritismo será aquilo que dele os homens
fizerem.

Que rumo tomaria a Doutrina Espírita, se nos encastelássemos na preguiça mental, desprezando os livros, alheando-nos das mensagens que descem dos
céus, em catadupas intérminas, infindáveis?...
Aonde iríamos parar, se os livros permanecessem fechados nas prateleiras das editoras e livrarias?...

Que seria do Espiritismo que é Ciência, Filosofia e Religião — dentro de mais algumas dezenas de anos?
A Doutrina Espírita é, sobretudo e essencialmente, a Doutrina do meiotermo, do bom-senso: Amor e Sabedoria, constituindo as asas de que se
utilizará o Espírito humano em seu voo para o Infinito.

Trabalho e Instrução — a fim de que o equilíbrio seja uma constante na vida do aprendiz e na expansão doutrinária.
Devemos, por isso mesmo, também perguntar:

Que rumo tomaria o nosso abençoado movimento, se, apenas estudando, olvidássemos os necessitados do caminho?
Aonde iríamos parar, se, apenas manuseando livros e devorando
mensagens, nos alheássemos da fome do pobrezinho, da nudez do órfão, da dificuldade da viúva, da Solidão do encarcerado, do desespero do enfermo incurável?

Que seria do Espiritismo — Consolador Prometido por Jesus — se, estimulando a cultura, lastimavelmente esquecêssemos a sublime legenda
adotada pelo insigne Missionário Lionês: Trabalho, Solidariedade e Tolerância?
Há, portanto, como se observa, uma dupla, inseparavel e indissolúvel necessidade: Amor e Instrução.

Não poderia, evidentemente, enganar-se o Espírito de Verdade: “Venho, como outrora, aos transviados filhos de Israel, trazer a Verdade e dissipar as
trevas. Escutai-me” — ao preceituar, nos primórdios do Espiritismo, o imperativo do Amor e da Sabedoria.
“Espíritas! Amái-vos; este o primeiro ensinamento; instrui-vos, este o segundo.”

(Martins Peralva, Estudando o Evangelho, cap. 45)