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SESC

07 Out 2017 19h16

É justo que pessoas de bem morram em catástrofes?

É justo que pessoas de bem morram em catástrofes?


Zilda Arns Neumann (Forquilhinha, 25 de agosto de 1934 — Porto Príncipe, 12 de janeiro de 2010) foi uma médica pediatra e sanitarista brasileira. No dia 12 de janeiro de 2010 estava em Porto Príncipe, em missão humanitária, para introduzir a Pastoral da Criança no país. Pouco depois de proferir uma palestra para cerca de 15 religiosos de Cuba, o país foi atingido por uma violento terremoto. Foi uma das vítimas da catástrofe.


Diante de uma notícia como esta é possível que venhamos a questionar se é justo que entre as vítimas de catástrofes estejam pessoas que trabalhem para boas causas. Allan Kardec, no século XIX já fez este questionamento para os Espírtos. A resposta ele publicou em 18 de abril de 1857, em O Livro dos Espíritos.

 

“Mas, nesses flagelos, tanto sucumbe o homem de bem como o perverso. Será justo isso?


Durante a vida, o homem relaciona tudo a seu corpo, mas, após a  morte,  pensa de outra maneira. Como já dissemos, a vida do corpo é um quase nada; um século de vosso mundo é um relâmpago na eternidade. Os sofrimentos que duram alguns dos vossos meses ou dias, nada são. Apenas um ensinamento que vos servirá no futuro. Os Espíritos que preexistem e sobrevivem a tudo, eis o mundo real. São eles os filhos de Deus e o objeto de sua solicitude. Os corpos não são mais que disfarces sob os quais aparecem no mundo. Nas grandes calamidades que dizimam os homens, eles são como um exército que, durante a guerra, vê os seus uniformes estragados, rotos ou perdidos. O general tem mais cuidado com os soldados do que com as vestes.

 

Mas as vítimas desses flagelos, apesar disso, não são vítimas?


Se considerássemos a vida no que ela é, e quanto é insignificante em relação ao infinito, menos importância lhe daríamos. Essas vítimas terão noutra existência uma larga compensação para os seus sofrimentos, se souberem suportá-los sem lamentar.


Comentário de Kardec: Quer a morte se verifique por um flagelo ou por uma causa ordinária, não se pode escapar a ela quando soa a hora da partida: a única diferença é que no primeiro caso parte um grande número ao mesmo tempo.


Se pudéssemos elevar-nos pelo pensamento de maneira a abranger toda a Humanidade numa visão única, esses flagelos tão terríveis não nos pareceriam mais do que tempestades passageiras no destino do mundo.”

 

Allan Kardec. O Livro dos Espíritos, Parte Terceira, Cap. VI – Da Lei de Destruição, perg. 738 – Item a e b.