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SESC

22 Ago 2017 07h41

Um Caso de Obsessão Juvenil

Livro: No mundo maior, 17.ed.,cap.8
Autor: André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier
Local: Lar equilibrado na Terra
Personagens: Calderaro, André Luiz, Marcelo e seus pais
Atividade: Visita de Calderaro e André Luiz ao lar de Marcelo, a quem o mentor presta assistência

 Situação de Marcelo

“Noite fechada. Calderaro e eu penetramos casa confortável e nobre, onde o instrutor, segundo pro­metera, me proporcionaria alguns esclarecimentos novos com referência aos desequilíbrios da alma.
[...]Há muito tempo assisto Marcelo com flui­dos reconfortantes, e a sua situação é de triunfo integral. Dócil à nossa influência, encontrou na prece e na atividade espiritual o suprimento de energias de que necessitava.
[...] O problema de perturbação essencial já está resolvido, o rea­justamento da vida surgiu pleno de esperanças no­vas, a paz regressou ao tabernáculo orgânico; mas perseveram ainda as recordações, os remanescentes dos dramas vividos no passado aflorando sob for­ma de fenômenos epileptóides, as ações reflexas da alma, que emergem de vasto e intricado túnel de sombras e que tornam, em definitivo, ao império da luz.”

Lar equilibrado

“Após atravessar o pórtico, dirigimo-nos, devidamente autorizados, ao interior, onde agradavel­mente me surpreendeu encantadora cena de pie­dade doméstica: um cavalheiro, uma senhora e um rapaz achavam-se imersos nas divinas vibrações da prece, cercados de grande número de amigos do nosso plano.
Fomos recebidos amorosamente.
Convidou-me o orientador a colaborar nos tra­balhos em curso, de vez que, com a valiosa co­operação daqueles três companheiros encarnados, se prestavam a irmãos recém-libertos da Crosta reais auxílios, de modalidades várias.
Digna de registro era a respeitável beleza da­quela reduzida assembleia, consagrada ao bem e à iluminação do espírito.
Admirando a harmonia daqueles três corações unidos nos mesmos nobres pensamentos e propósitos, e que miríficos fios de luz entrelaçavam, o Assistente amigo comentou com oportunidade:
— A família é uma reunião espiritual no tem­po, e, por isto mesmo, o lar é um santuário. Mui­tas vezes, mormente na Terra, vários de seus com­ponentes se afastam da sintonia com os mais altos objetivos da vida; todavia, quando dois ou três de seus membros aprendem a grandeza das suas probabilidades de elevação, congregando-se intimamente para as realizações do espírito eterno, são de esperar maravilhosas edificações.”

Esforço próprio

“Terminado o concurso do trio familiar, com expressiva e comovedora oração, começou a reti­rada dos companheiros de nossa esfera, enquanto os amigos encarnados entravam em carinhosa con­versação.
O cavalheiro, com o sorriso feliz do trabalha­dor que bem cumpriu o dever, dirigiu-se aos cir­cunstantes em voz alta:
— Graças a Deus, tudo normal.
Encarando o rapaz com imensa ternura pater­nal, indagou:
— E você, Marcelo, continua bem?
— Oh! sem dúvida — respondeu o interpela­do, alegre; estou maravilhado, papai, com os excelentes resultados que venho colhendo em nossas reuniões das quintas-feiras.
— Têm voltado os ataques noturnos?
— Não. À proporção que me esforço no co­nhecimento das verdades divinas, cooperando com a minha própria vontade no terreno da aplicação prática das lições recebidas, sinto que passo cada vez melhor, que me reforço intimamente, recupe­rando a saúde perdida. Reconheço também que, em me desinteressando da edificação espiritual, distraí­do da minha necessidade de elevação, voltam as perturbações com intensidade. Nessas fases noci­vas, desperto alta noite com os membros cansados e doloridos, e assaltam-me evidentes sinais das con­vulsões, deixando-me longos momentos sem sen­tido...
O jovem sorriu a esta sua singela confissão filial e prosseguiu:
- Felizmente, porém, agora que me consagro, zeloso e assíduo, à tarefa espiritualizante, reconhe­ço que os passes de mamãe são mais eficientes. Estou mais receptivo e observo que a boa vontade é fator decisivo em meu bem-estar.”

Processo obsessivo - compromissos espirituais de Marcelo

“_Tem, como quase todos nós, um pretérito intensamente vivido nas paixões e excessos da autoridade. Exerceu, outrora, enorme poder de que não soube usar em sentido constru­tivo. Senhor de vigorosa inteligência, planou em altos níveis intelectuais, de onde nem sempre desceu para confortar ou socorrer.
Portador de vários títulos honoríficos, muita vez os esqueceu, precipi­tando-se na vala comum dos caprichos criminosos. Impôs-se pelo absolutismo, e intensificou a lavra de espinhos que o dilacerariam mais tarde.
Che­gada a colheita de nefanda messe, experimentou sofrimentos atrozes. Inúmeras vítimas o espera­vam além do sepulcro, e arremeteram contra ele.
Entretanto, se errou clamorosamente, Marcelo, em muitas ocasiões, desejou ser bom e formou dedi­cações valiosas em torno de seu nome; tais devo­tamentos, contudo, houveram que aguardar opor­tunidade por auxiliá-lo.
Os inimigos eram massa compacta e gritavam furiosamente, invocando a justiça vulgar; retiveram-no longo tempo nas re­giões inferiores, saciaram velhos propósitos de vin­gança, seviciando-lhe a organização perispiritual. Marcelo, em plena sombra da consciência, rogou, chorou e penitenciou-se vastos anos.
Por mais que suplicasse e por muito que insistissem os elementos intercessórios, a ansiada libertação demorou mui­tíssimo, porque o remorso é sempre o ponto de sintonia entre o devedor e o credor, e o nosso amigo trazia a consciência fustigada de remorsos cruéis. Os desequilíbrios perispiríticos flagelaram-no, assim, logo que atravessou o pórtico do túmulo, obstinando-se anos a fio...”

Reencarnação e fenômenos epileptóides

Longos anos de desequilíbrio, em que as vítimas, tornadas em algozes, o abalaram com tremendas convulsões, através de choques e padecimentos inenarráveis, clarearam-lhe os hori­zontes internos, tendo nosso irmão afinal logrado entender-se com prestimoso e sábio orientador es­piritual, a quem se liga desde remoto passado.
Foi socorrido e amparado. Indagou, ansioso, por almas que lhe eram particularmente queridas, sendo-lhe cientificado que os seus laços mais fortes já se encontravam de novo na carne, em testemunhos e labores dignificantes.
Suplicou a reencarnação, pro­meteu aceitar compromissos de concurso espiritual na Crosta, a fim de resgatar os enormes débitos, colaborando no bem e na evolução dos inimigos de outrora, e conseguiu a dádiva, apoiado por abne­gado mentor que o estima de muitos séculos.
Tor­nou à esfera carnal e reiniciou o aprendizado. Ulti­mamente renasceu estreitado em braços carinho­sos, aos quais se sente vinculado no curso de várias existências vividas em comum.
Agora, sinceramente aproveitando as bênçãos recebidas, desde os mais tenros anos, preocupa-se em reajustar as precio­sas qualidades morais: caracteriza-se, desde meni­no, pela bondade e obediência, docilidade e ternura naturais. Passou a infância tranquilo, embora con­tinuamente espreitado por antigos perseguidores in­visíveis.
Não se achava a eles atraído, em virtude do serviço regenerador a que se submetera; mas ao topar com algum dos adversários, nos minutos de parcial desprendimento propiciado pelo sono fí­sico, sofria amargamente com as recordações. Tudo prosseguia sem novidades dignas de menção. Sob a vigilância dos pais e com o amparo dos benfei­tores invisíveis, preparava-se o menino para os tra­balhos futuros.
Contudo, logo que se lhe consoli­dou a posse do patrimônio físico, ultrapassados os catorze anos de idade, Marcelo, com a organização perispiritual plenamente identificada com o invólu­cro fisiológico, passou a rememorar os fenômenos vividos, e surgiram-lhe as chamadas convulsões epi­lépticas com certa intensidade.”

Médico de si mesmo

“O rapaz, todavia, encontrou imediatamente os antídotos necessários, refugiando-se na ´residência dos princípios nobres`, isto é, na região mais alta da personalidade, pelo hábito da oração, pelo entendimento fraterno, pela prática do bem e pela espiritualidade superior.
Li­mitou, destarte, a desarmonia neuro-psíquica e re­duziu a disfunção celular, reconquistando o próprio equilíbrio, dia a dia, mobilizando as armas da vontade. Nesse esforço, dentro do qual se fêz extre­mamente simpático, recebeu vultosa colaboração de nossa esfera, aproveitando-a integralmente pela adesão criteriosa ao esforço construtivo do bem.
Recebendo a luta com serenidade e paciência, insta­lou em si mesmo valiosas qualidades receptivas, fa­vorecendo-nos o concurso e dispensando, por isso mesmo, a terapêutica dos hipnóticos ou dos choques, a qual, provocando estados anormais no organismo perispirítico, quase sempre nada consegue senão deslocar os males, sem os combater nas origens.”

André Luiz. No Mundo Maior. Psicografado por Francisco Cândico Xavier. FEB. Cap. 8.