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SESC

12 Set 2017 19h35

O Evangelho em defesa da vida: suicídio nunca!

 O Evangelho em defesa da vida: suicídio nunca!

Na Introdução do Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec menciona que os ensinos morais do Cristo são o objeto exclusivo desta obra¹ e lhes atribui a consequência de levantar uma ponta do véu que oculta a vida futura². A apresentação, descrição, comprovação e correta valoração³ da vida futura desoculta a realidade da vida espiritual, a verdadeira vida⁴, tornando-a compreensível para todas as pessoas⁵, programa de ação que também os precursores do Cristo realizaram⁶ e continuado por notáveis obreiros do Cristo⁷.
 
Uma vez fixada a atenção nos ensinos morais do Cristo, surge o esclarecimento sobre a vida futura e descortina-se a felicidade eterna⁸.
 
A partir de exemplos que deposita diariamente sob nossos olhos, o Espiritismo mostra que as circunstâncias do Espírito na vida futura dependerão da conduta moral⁹, havendo uma correspondência entre felicidade e sofrimento, na vida futura, com as ações, sentimentos e pensamentos durante a encarnação. Isto fundamenta a responsabilidade moral posterior¹⁰ do Espírito.  
 

A exata compreensão da vida futura, qualificada como meta a que se destina a humanidade e objeto das principais preocupações do ser humano na Terra¹¹, aproxima-nos de Jesus, por tornar compreensíveis seus ensinos¹², evitando-se a incredulidade¹³. Trata-se de uma verdade fundamental¹⁴, constituindo-se como ponto de referência para todas as pessoas¹⁵, uma lei da natureza¹⁶, uma realidade material demonstrada pelos fatos¹⁷.

 
A vida futura torna compreensíveis as anomalias da vida presente¹⁸, a justiça de Deus¹⁹, a recompensa às pessoas boas e obedientes às leis divinas²⁰ e se apresenta como critério para avaliarmos nossos atos²¹. Evita-nos desejarmos a vingança²². Estimula-nos a fazer o bem sem ostentação²³. Ensina-nos qual é a verdadeira propriedade e a agirmos direcionados à imortalidade²⁴.
 
Propicia uma fé inabalável²⁵, com consequências na vida moral das pessoas²⁶, por alterar o ponto de vista sob o qual encaram a vida terrena²⁷, mostrando que esta nada mais representa que uma passagem, breve estadia em um país ingrato²⁸ e, por isso, as aflições e tribulações não passam de incidentes, que as pessoas assimilam com paciência²⁹. A morte deixa de ser a porta para o nada e torna-se a da libertação que permite ao exilado o acesso a uma morada de bem-aventurança e paz³⁰. Com a vida futura, que é infinita³¹, a pessoa aceita as inquietações da vida com mais indiferença, e disso resulta uma calma de espírito que lhe suaviza a amargura da existência³². A simples dúvida quanto à vida futura gera o apego à vida terrena e ao presente³³. O ponto de vista fundado na vida futura permite entender a igualdade entre todos os seres humanos e desenvolve a humildade³⁴. A importância que se atribui aos bens terrenos está sempre na razão inversa da fé na vida futura³⁵.
 
A vida futura, cujos interesses devem prevalecer sobre todos os interesses e todas as considerações humanas³⁶, explica a justiça das aflições e as compensações prometidas por Jesus³⁷. Convida à paciência e à resignação durante os sofrimentos³⁸.
 
Todas essas conquistas do Espírito, por meio da convicção sobre a vida futura, proporcionam calma, resignação e serenidade, sendo a melhor prevenção contra o suicídio³⁹. Somando-se isso à certeza da imortalidade, tem-se a coragem moral, que impede o suicídio⁴⁰. Ter certeza da vida futura e saber que a felicidade nela depende da resignação durante os sofrimentos afasta o pensamento de suicídio⁴¹ e, por isso, conseguimos dizer, com convicção: vida sim! suicídio nunca!
 
 
 

[1] O Evangelho Segundo o Espiritismo. Trad. Comissão de Tradução. Taguatinga: Editora Auta de Souza, 2ª ed., 2014, p. 17. Todas as citações do Evangelho são desta tradução e grafadas assim: capítulo, item, página. Exemplo: 2, 3, 52, ou seja, capítulo 2, item 3, página 52. A Introdução será grafada assim: Introdução, página.
[2] Introdução, p. 17.
[3] “(...) ora, essa descrição da vida futura é tão minuciosa, as condições de existência feliz ou infeliz dos que nela se localizam mostram-se tão racionais que, mesmo a contragosto, sente-se obrigado a declarar que não pode ser de outra forma e exatamente aí se encontra a verdadeira justiça de Deus.” (2, 3, 52)
[4] “A vida espiritual, com efeito, é a verdadeira vida; a vida normal do Espírito(...).” (23, 8, 276)
[5] “O ensino dos Espíritos, que reproduz essas máximas sob diferentes formas, que as desenvolve e comenta para colocá-las ao alcance de todos, possui a particularidade de não ser circunscrito e, qualquer um, letrado ou iletrado, crente ou incrédulo, cristão ou não, pode recebê-lo, porque os Espíritos se comunicam por toda parte (...).” (18,12, 240)
[6] “Tal como Jesus foi acusado pelos fariseus de corromper o povo por meio dos seus ensinos, também Sócrates foi acusado pelos fariseus do seu tempo, pois que existem em todas as épocas, de corromper a juventude, por proclamar como verdades fundamentais a unidade de Deus, a imortalidade da alma e a vida futura.” (Introdução, p. 33)
[7] “Podem-se ler, nas notáveis confissões que nos legou esse eminente Espírito [Santo Agostinho], as palavras ao mesmo tempo características e proféticas que declara após haver perdido Santa Mônica: “Estou convencido de que minha mãe tornará a visitar-me e a dar-me conselhos, revelando a mim o que nos espera na vida futura”. Que ensinamento nessas palavras e que deslumbrante previsão da futura doutrina!” (2, 11, 50).
[8] “(...) uma vez fixada a atenção, a beleza e a santidade da moral impressionarão os Espíritos, os quais se dedicarão a uma ciência que lhes dá a chave da vida futura e abre a porta da felicidade eterna.” (2, 10, 48)
[9] “O Espiritismo nos mostra, por exemplos que deposita diariamente sob nossos olhos, quanto é penosa para o mau a passagem desta vida a outra e a entrada na vida futura.” (Introdução, p. 37)
[10] “Em outros termos, equivale dizer que o materialismo, ao proclamar o nada após a morte, seria a anulação de toda responsabilidade moral posterior e, por consequência, um incentivo ao mal; que a pessoa má teria tudo a ganhar com o nada; que só aquele que se despojou dos seus vícios e se enriqueceu de virtudes pode esperar tranquilamente o despertar em outra vida.” (Introdução, p. 37)
[11] “Por essas palavras, Jesus se refere claramente à vida futura, que Ele apresenta, em todas as circunstâncias, como sendo a meta a que se destina a humanidade e como o que deve constituir o objeto das principais preocupações do ser humano na Terra.” (2, 2, 51)
[12]“Todos seus [de Jesus] ensinamentos aludem a esse princípio sublime. Com efeito, sem a vida futura, a maioria dos seus preceitos morais não teria nenhuma razão de ser; por isso, aqueles que não acreditam na vida futura, imaginando que Jesus só falava da vida presente, não compreendem esses princípios ou os consideram pueris.” (2, 2, 51)
[13] “mas a ideia que dela muitos fazem é vaga e incompleta e, por isso, falsa em vários pontos; para um grande número, trata-se apenas de uma crença sem certeza absoluta, o que gera dúvidas e até incredulidade” (2, 3, 52)
[14] 2, 2, 51.
[15] 2, 3, 52.
[16] “[Jesus] limitou-se a apresentar, de certo modo, a vida futura como um princípio, uma lei da natureza, da qual ninguém pode escapar.” (2, 3, 52)
[17] “(...) é uma realidade material demonstrada pelos fatos, porquanto são as testemunhas oculares que se apresentam para descrevê-la em todas as suas fases e em todas as suas peripécias (...)” (2, 3, 52).
[18]“Essa verdade fundamental pode, então, ser considerada como o principal ponto do ensino do Cristo; por isso é colocada como uma das primordiais no início desta obra, porque deve ser o ponto de referência para todas as pessoas; só ela é capaz de justificar as anomalias da vida terrena e harmonizar-se com a justiça de Deus.” (2, 2, 51-52)
[19] 2, 2, 52.
[20]“Mais tarde, Jesus veio revelar-lhes que há outro mundo em que a justiça de Deus segue o seu curso; é esse mundo que promete aos que obedecem aos mandamentos de Deus e onde os bons encontrarão a recompensa (...).” (2, 3, 52)
[21] “Para julgarmos algo, devemos entrever suas consequências; por isso, para apreciarmos o que realmente traz ventura ou desventura para o ser humano, é necessário transportar-nos além desta vida, porque é lá que as consequências se fazem sentir; ora, tudo o que se denomina infelicidade, segundo a estreita visão humana, cessa com a vida corpórea e encontra sua compensação na vida futura.” (5, 24, 94-95)
[22] a) “Somente a fé na vida futura e na justiça de Deus, que jamais deixa de exigir a reparação do mal, é capaz de proporcionar forças para suportar pacientemente os ataques deflagrados aos nossos interesses e amor-próprio. Por isso clamamos, sem cessar: estendei vossos olhares para frente! Quanto mais vos elevardes pelo pensamento, acima da vida material, menos vos sentireis feridos pelas coisas terrenas.” (12, 8, 163)
    b) “O duelo, remanescente dos tempos bárbaros onde o direito do mais forte criava a lei, desaparecerá por consequência de uma mais sadia apreciação do verdadeiro ponto de honra e à medida que o ser humano depositar fé mais viva na vida futura.” (12, 15, 169)
[23]“Fazer o bem sem ostentação é um grande mérito; ocultar a mão que dá é ainda mais meritório; é sinal incontestável de grande superioridade moral porque, para ver as coisas de modo mais elevado que o vulgo, é necessário se abstrair da vida presente e se identificar com a vida futura; importa, em uma palavra, colocar-se acima da humanidade para renunciar à satisfação que o testemunho das pessoas proporciona e esperar a aprovação de Deus. Aquele que aprecia mais a aprovação das pessoas que a de Deus prova ter mais fé nas pessoas do que em Deus e dar mais valor à vida presente que à vida futura, ou até mostra não crer na vida futura; se diz o contrário, age como se não acreditasse no que diz.” (13, 3, 171-172)
[24] O ser humano só realmente possui aquilo que pode levar deste mundo. O que encontra ao chegar e o que deixa ao partir, usufrui enquanto permanece na Terra; contudo, forçado que é a abandonar tudo isso, tem só o usufruto, mas não a propriedade real. O que ele possui então? Nada do que é útil ao corpo, tudo o que é útil à alma: inteligência, conhecimentos, qualidades morais; eis o que traz e leva consigo, o que ninguém possui o poder de subtrair-lhe, o que lhe servirá ainda mais no outro mundo do que neste;  depende unicamente da pessoa ser mais rica ao partir que ao chegar, pois sua posição futura resulta do que houver conquistado de bom. Quando alguém vai a um país longínquo, prepara sua bagagem com objetos utilizáveis naquele país e não se encarrega dos que lhe seriam inúteis. Procedei, então, igualmente com relação à vida futura e aprovisionai tudo o que nela possa vos servir.” (16, 9, 213)
[25] “A ideia clara e exata que se elabora da vida futura propicia uma fé inabalável no porvir (...).” (2, 5, 53).
[26] “(...) fé que gera consequências imensas na moralização das pessoas (...).” (2, 5, 53).
[27] “porque muda completamente o ponto de vista sob o qual encaram a vida terrena”. (2, 5, 53)
[28] “Para aquele que se coloca, pelo pensamento, na vida espiritual, que é infinita, a vida corpórea nada mais representa que uma passagem, breve estadia em um país ingrato.” (2, 5, 53)
[29] “Os acontecimentos aflitivos e as tribulações dessa vida não passam de incidentes que assimila com paciência, por saber serem apenas de efêmera duração, devendo suceder-lhes um estado mais feliz (...).”(2, 5, 53)
[30] “a morte nada mais tem de apavorante; deixa de ser a porta para o nada e torna-se a da libertação que permite ao exilado o acesso a uma morada de bem-aventurança e paz.” (2, 5, 53)
[31] “Para aquele que se coloca, pelo pensamento, na vida espiritual, que é infinita (...).” (2, 5, 53)
[32] “Sabendo que se encontra em um lugar temporário e não definitivo, aceita as inquietações da vida com mais indiferença, e disso resulta, para ele, uma calma de espírito que lhe suaviza a amargura da existência.” (2, 5, 53)
[33] “Pela simples dúvida sobre a vida futura, o ser humano conduz todos os seus pensamentos para a vida terrena; incerto quanto ao porvir, tudo consagra ao presente (...).”(2, 5, 53)
[34] “Com aquele que examina a vida terrena pelo ponto de vista da vida futura, acontece o seguinte: a humanidade, como as estrelas do firmamento, perde-se na imensidão; ele percebe, diante disso, que grandes e pequenos são confundidos, como formigas em uma pequena porção de terra; percebe, ainda, que proletários e poderosos têm igual valor e lamenta que essas efêmeras criaturas se entreguem a tantas inquietações para conquistar uma posição que as eleva tão pouco e que devem conservar por tão breve tempo”. (2, 5, 54)
[35] a) “É por isso que a importância atribuída aos bens terrenos está sempre na razão inversa da fé na vida futura.” (2, 5, 54)
    b) “Menosprezais as esperanças da vida futura, para lhe preferirdes a efêmera vida que arrastais na Terra? Imaginais, então, que vale mais ter uma posição entre encarnados que entre Espíritos bem-aventurados?” (5, 21, 92)
    c) “O desapego aos bens terrenos consiste em apreciar a riqueza no seu justo valor, saber deles se servir em benefício dos outros e não para si unicamente, não sacrificar por eles os interesses da vida futura, perdê-los sem murmurar se for da vontade de Deus retirá-los de vós.” (16, 14, 219)
[36] “Sem discutir as palavras, é necessário aqui procurar o pensamento, que era, evidentemente, este: “Os interesses da vida futura prevalecem sobre todos os interesses e todas as considerações humanas”, porque está de acordo com a essência da doutrina de Jesus, ao passo que a ideia de renúncia à família representaria a negação dessa doutrina.” (23, 6, 275)
[37] a) “Somente na vida futura podem ser realizadas as compensações que Jesus promete aos aflitos da Terra; sem a certeza do porvir, essas máximas seriam destituídas de sentido e, mais ainda, um engodo.” (5, 3, 77)
    b) “Depois, acrescenta: “Quem quiser me seguir, carregue sua cruz”, ou seja, que suporte corajosamente as atribulações que sua fé lhe acarretar, pois quem quiser salvar sua vida e seus bens, renunciando a mim, perderá as vantagens do reino dos Céus, enquanto que as pessoas que tudo perderem na Terra, até a vida, em prol do triunfo da verdade, receberão na vida futura o prêmio pela coragem, perseverança e abnegação. Entretanto, às que sacrificam os bens celestiais aos prazeres terrenos, Deus dirá: “Já recebestes vossa recompensa”.” (24, 18, 288)
[38]“Essas palavras podem, ainda, ser traduzidas assim: deveis considerar-vos ditosos por sofrerdes, porque vossas dores nesse mundo são o débito dos vossos erros pretéritos e, quando suportadas com paciência na Terra, poupam-vos séculos de sofrimentos na vida futura. Deveis, portanto, julgar-vos felizes por Deus reduzir vossa dívida, permitindo que a liquideis no presente, o que vos assegura tranquilidade no porvir.” (5, 12, 84)
[39] “A calma e a resignação, resultantes da maneira de analisar a vida terrena, e a fé no futuro proporcionam ao Espírito uma serenidade que é a melhor prevenção contra a loucura e o suicídio.” (5, 12, 85)
[40] “Com o Espiritismo, tornando impossível a dúvida, o aspecto da vida se altera; aquele que crê sabe que a vida se prolonga indefinidamente além-túmulo, mas em condições bastante diversas; daí a paciência e a resignação que tão naturalmente afastam o pensamento do suicídio; daí, em resumo, a coragem moral.” (5, 16, 86)
[41] “O espírita possui, então, para contrapor ao pensamento de suicídio, múltiplos motivos: a certeza de uma vida futura, na qual sabe que será tão mais feliz quanto mais infeliz e resignado na Terra (...)” (5, 17, 87)