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SESC

12 Set 2017 14h41

O Evangelho em defesa da Vida: Aborto Nunca!

O Evangelho em defesa da Vida: Aborto Nunca!

No capítulo 14, síntese nove, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Santo Agostinho nos expõe razões suficientes para extirparmos a prática do aborto: a lei de ação e reação expressa-se por meio de provas e expiações nas famílias¹; provas e expiações que são escolhidas pelos próprios espíritos²; escolha que é motivada pelo reconhecimento do erro, pela profundidade da boa vontade e pelo perdão, conseqüência da caridade³; a missão dos genitores de propiciar a elevação do espírito que reencarna com eles⁴; a prestação de contas que será exigida dos genitores⁵; o amargo arrependimento que assoma nos genitores ao percebem o erro cometido⁶; o remorso que se converte em pedido de nova encarnação reparadora⁷; a adequação das provas às forças do espírito⁸; a recompensa e a gratidão pelas provas e expiações bem suportadas⁹; as provas intensas indicam o fim do sofrimento¹⁰; o agradecimento a Deus pelas provas e a alegria decorrente da vitória sobre elas¹¹; a coragem moral restabelecida pelo conhecimento da causa dos sofrimentos, os quais são todos transitórios¹²; abreviar o sofrimento depende da própria pessoa e de seus esforços¹³; os laços de família são perpetuados, consolidados e depurados com a reencarnação¹⁴; os espíritos são solidários entre si¹⁵.

Com todas essas razões, podemos estampar comovente apelo de Santo Agostinho para que as mães aceitem a maternidade:

Não repudieis, portanto, a criança que no berço rejeita sua mãe, nem a que vos paga com ingratidão; (...) Mães! Abraçai, então, o filho que vos causa tristezas (...)” (grifos nossos)
 
E acrescenta que esses espíritos, uma vez acolhidos e não repelidos, poderão auxiliar outros:

Acolhei-os, portanto, com fraternidade; vinde em ajuda deles e, cedo ou tarde, no mundo dos Espíritos, a família se felicitará por ter salvo náufragos que, por sua vez, poderão salvar outros.” (grifos nossos)

Imbuídos dessas razões, apliquemo-nos a defender a vida contra o aborto! 

 

 ¹ “Quando o Espírito deixa a Terra, leva consigo paixões ou virtudes inerentes à sua natureza e prossegue, no plano espiritual, aperfeiçoando-se ou permanecendo estacionário até que deseje ver a luz. Alguns partem carregando consigo potentes ódios e desejos de vingança não saciados; todavia, a alguns dentre eles, mais avançados, é permitido entrever uma partícula da verdade; reconhecem os funestos efeitos das suas paixões, quando, então, tomam boas resoluções; compreendem que, para chegar a Deus, só há uma única senha: caridade. Ora, não há caridade sem esquecimento de ultrajes e injúrias; não há caridade sem perdão, nem com ódios no coração.

Então, mediante um imenso esforço, tais Espíritos conseguem observar os que detestaram na Terra; mas, ao vê-los, desperta-se a animosidade e revoltam-se contra a ideia de perdoar, ainda mais contra a de abdicarem de si próprios, sobretudo contra a de amarem os que talvez lhes destruíram fortuna, honra e família. Entretanto, o coração desses infortunados fica abalado; hesitam, vacilam, agitados pelos sentimentos contrários; se a boa resolução predomina, oram a Deus, imploram aos bons Espíritos que lhes deem forças no momento mais decisivo da prova.

Enfim, após alguns anos de meditações e preces, o Espírito se aproveita de um corpo em preparo na família daquele a quem detestou e pede aos Espíritos, encarregados de transmitir as ordens supremas, permissão para ir cumprir na Terra os destinos desse corpo que acaba de se formar.” (capítulo 14, síntese 9 – todas as citações provém deste capítulo e deste item e, por isso, não serão novamente indicadas).

² “(...) se a boa resolução predomina, oram a Deus, imploram aos bons Espíritos que lhes deem forças no momento mais decisivo da prova.
Enfim, após alguns anos de meditações e preces, o Espírito se aproveita de um corpo em preparo na família daquele a quem detestou e pede aos Espíritos, encarregados de transmitir as ordens supremas, permissão para ir cumprir na Terra os destinos desse corpo que acaba de se formar.”

³ “(...) reconhecem os funestos efeitos das suas paixões, quando, então, tomam boas resoluções; compreendem que, para chegar a Deus, só há uma única senha: caridade. Ora, não há caridade sem esquecimento de ultrajes e injúrias; não há caridade sem perdão, nem com ódios no coração.”

⁴ “Oh, espíritas! Compreendei agora o sublime papel da humanidade. Compreendei que, quando produzis um corpo, a alma que nele encarna vem do plano espiritual para progredir. Compenetrai-vos dos vossos deveres e colocai todo vosso amor para aproximar de Deus essa alma: eis a missão que vos é confiada, cuja recompensa recebereis, se a cumprirdes fielmente.”

⁵ “Considerai que Deus perguntará a cada pai e a cada mãe: ‘Que fizestes da criança confiada à vossa guarda?’”

⁶ “Se permaneceu atrasada por vossa culpa, resultará disso o tormento de vê-la entre os Espíritos sofredores, quando de vós dependia que ela fosse feliz. Então, vós mesmos, torturados por remorsos, suplicareis a reparação da vossa falta.”

⁷ “Então, vós mesmos, torturados por remorsos, suplicareis a reparação da vossa falta. Solicitareis nova encarnação para vós e para ela, na qual a envolvereis com cuidados mais esclarecidos e essa alma, irradiante de reconhecimento, irá vos envolver com seu amor.”

⁸ “Deus não dá uma prova superior às forças daquele que a solicita; permite só aquelas cuja execução é possível. Se fracassamos, não é por falta de condições, mas de vontade.”

⁹ “Quando os pais fazem tudo o que devem pelo avanço moral dos seus filhos, mas não triunfam, não há censuras a se imporem e suas consciências podem permanecer tranquilas. Para a tristeza muito natural que sentem, em razão do insucesso dos seus esforços, Deus reserva uma grande, uma imensa consolação, na certeza de que é apenas um atraso e que lhes será dado terminar em outra encarnação a obra começada nesta e que, um dia, o filho ingrato os recompensará com seu amor.”

¹⁰ “As provas intensas, entendei bem o que digo, são quase sempre indício de um fim de sofrimento e de um aperfeiçoamento do Espírito quando são aceitas com o propósito de chegar a Deus.”

¹¹ “É um momento supremo, durante o qual importa, sobretudo, não falir com murmurações, se não se deseja perder o fruto e ter que recomeçar. Em lugar de vos lastimar, agradecei a Deus, que vos oferece ocasião de vencer, para vos conferir o prêmio da vitória. Então, quando sairdes do turbilhão do mundo terrestre e entrardes no mundo dos Espíritos, sereis aclamados como o soldado que sai vitorioso da batalha.”

¹² “Mas o que melhor poderá, nessas circunstâncias, restabelecer a coragem moral senão o conhecimento das causas do mal e a certeza de que, se há longos suplícios da alma, não há desesperos eternos, pois Deus não pode querer que sua criatura sofra eternamente?”

¹³ “Que há de mais consolador, de mais encorajador, do que a ideia de que depende de si, dos seus próprios esforços, abreviar o sofrimento destruindo em si as causas do mal?”

¹⁴ “Nesse golpe de vista projetado sobre o conjunto, os laços de família surgem sob o verdadeiro aspecto; não são os laços frágeis da matéria que lhes reúnem os membros, mas os laços duráveis do Espírito que se perpetuam e se consolidam, ao se depurarem, em vez de se romperem pela reencarnação.”

¹⁵ “Mas como não devem trabalhar somente para si próprios, Deus permite que Espíritos menos adiantados venham encarnar entre eles, para receberem conselhos e bons exemplos no interesse do seu progresso; esses Espíritos causam, por vezes, problemas, mas isso constitui prova e tarefa aos outros.”