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SESC

07 Out 2017 22h33

O Espiritismo é uma religião?A palavra religião vem do latim religare e significa a religação do homem com Deus, do seio do qual se apartara. O sentimento que existe um poder superior, transcendente, que vigia e governa o universo é natural na criatura h

A palavra religião vem do latim religare e significa a religação do homem com Deus, do seio do qual se apartara. O sentimento que existe um poder superior, transcendente, que vigia e governa o universo, é natural na criatura humana e suas manifestações vêm se modificando ao longo dos séculos. No decorrer da história o homem tem experimentado várias formas de adoração, e a evolução do sentimento religioso acompanha a evolução da Humanidade.

O homem primitivo adorava Deus na natureza, no correr dos rios, no ribombar do trovão. Todas as suas formas de contato com a Inteligência Suprema tinham, e tem, pois que ainda existem na Terra tribos primitivas, como intermediários os fenômenos naturais, que tanto impressionam e causam temor.

Depois foi a vez do Deus antropomórfico. As potências da natureza foram divididas em várias entidades, feitas à imagem do homem, inclusive com suas limitações morais, desvios de conduta e preferências humanas. Os gregos, os romanos, os persas, todos tinham seus deuses-homens, e também seus homens-deuses, já que os governantes e legisladores primitivos se deificavam para que suas resoluções tivessem autoridade incontestável.

O Cristianismo representou grande avanço da ideia religiosa. Ao aparecer no seio do único povo, em todas as suas camadas sociais, na existência do Deus único, o Cristianismo solidificou a crença na unicidade de Deus, é incontestável evolução. Além disso, o Cristianismo apresenta o Deus de amor, o Pai soberano e justo, supremo em piedade e misericórdia.

O Cristianismo teve como seu mensageiro o mais evoluído espírito que já esteve entre os homens, o Cristo Jesus, que com a sua imensa superioridade, calcada na prática do amor puro, fez com que uma ideia nascida nos rincões mais pobres do Império Romano ganhasse vitalidade e força, a ponto de conquistar corações em todos os lugares do mundo e permanecer através dos anos.

Passados dezenove séculos da vinda de Jesus, surge o Espiritismo. Importante notar que a Doutrina nasceu num momento em que a Humanidade, cansada dos abusos e desvios da Igreja Católica, estava preparada para recebê-la. O pensamento humano já vinha se libertando, desde os séculos anteriores, das amarras constritoras impostas pela Igreja. Já era possível adotar novas ideias sem sofrer perseguição e o homem se encontrava num período de incessantes inquirições.
Foi nesse clima que se iniciaram os fenômenos de efeitos físicos conhecidos como mesas girantes. Tal foi a magnitude do fenômeno e tamanha sua repercussão, que até mesmo observadores sérios, dentre os quais estava o professor Rivail, se viram na obrigação de estudá-los. Kardec passou a conversar com os Espíritos, que guiaram-no em sua trajetória até que, no dia 18 de abril de 1857, surgia O Livro dos Espíritos.
A Doutrina Espírita é definida, desde o seu advento, como Ciência, Filosofia e Religião. Nasceu como ciência, da observação e do estudo de fatos. É ciência porque seus fenômenos estão na natureza e podem ser aferidos, medidos, comprovados.

O Espiritismo é também filosofia porque responde as perguntas básicas da filosofia (quem somos, de onde viemos e para onde vamos) e abre a mente a novos questionamentos filosóficos, que vão, paulatinamente, aproximando o homem da Verdade.

No entanto, filosofia e ciência não aproximam, por si só, o homem de Deus. O Espiritismo o faz porque propõe uma nova forma de viver. Uma forma baseada na responsabilidade individual, na reforma interior, na prática diária do amor proposto por Jesus Cristo, a piedade e a caridade. O Espiritismo revive o Cristianismo na sua pureza primitiva. Tendo por base a razão, alimentada pela filosofia e esclarecida pela ciência, o Espiritismo se apresenta como a religião da consciência, a religião da verdade, sem dogmas, sem liturgia, sem clero.

O próprio Allan Kardec escreveu várias vezes sobre o assunto e na Revista Espírita de dezembro de 1868, afirmou o seguinte:

“Se assim é, dir-se-á, o Espiritismo é, pois, uma religião? Pois bem, sim! Sem dúvida, Senhores; no sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, e disto nos glorificamos, porque é a doutrina que fundamenta os laços da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre as bases mais sólidas: as próprias leis da Natureza. (...)

A caridade é a alma do Espiritismo: ela resume todos os deveres do homem para consigo mesmo e para com os seus semelhantes; é porque pode se dizer que não há verdadeiro Espírita sem caridade.” (Allan Kardec. Revista Espírita. Dezembro de 1868)

Com o Espiritismo o homem encontrará Deus porque buscará em seu próximo as razões maiores de sua existência. O trabalho pelo outro, seguido da reforma moral individual, propiciará à criatura humana o reencontro com a divindade, tão anelado em todas as épocas da humanidade.